A produção industrial recuou 0,6% na passagem de julho para agosto, a queda mais intensa para o mês desde agosto de 2022 (-1,4%), informou nesta sexta-feira, 2, André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal - Produção Física (PIM-PF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Entre maio e agosto, a indústria acumulou uma perda de 3,4%.
O dado é resultado das quedas de 1% em maio, 1,6% em julho, alta de 0,1% em julho e o recuo de 0,6% em agosto. O resultado, segundo Macedo, elimina parte do ganho de 4,3%, acumulado entre janeiro e abril.
"Há predominância de comportamento negativo no setor industrial nos últimos quatro meses, com um perfil disseminado de taxas negativas. Claramente há perda de dinamismo do setor industrial, especialmente no último quadrimestre", disse ele, em coletiva para comentar os resultados.
Questionado sobre a influência de fatores macroeconômicos no resultado, o técnico reconheceu que a política monetária mais restritiva impacta diretamente a demanda doméstica, com o aumento da inadimplência e o endividamento das famílias e empresas, além de fazer com que as companhias adiem decisões de investimentos. "Toda essa conjuntura ajuda no entendimento do comportamento do setor industrial nos últimos meses", disse.
Revisões anteriores
O IBGE revisou o resultado da produção industrial em julho de 2026 ante junho de 2026, de 0,2% para 0,1%.
Em bens de capital, a taxa de julho ante junho passou de 2,4% para 1,0%.
Na categoria de bens de consumo duráveis, a taxa passou de 3,2% para 3,4%.
O resultado de bens de consumo semi e não duráveis em julho ante junho saiu de 0,5% para 0,2%.