Taxas de juros sobem com aversão a risco no exterior e cautela antes do primeiro turno

01/10/2026 às 18:11 atualizado por Arícia Martins - Estadão | Siga-nos no Google News
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Mesmo com a inversão dos rendimentos dos Treasuries para o terreno negativo no meio da tarde, refletindo maior procura pelos títulos com aumento da aversão ao risco e, também, declarações de dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), os juros futuros negociados na B3 terminaram a sessão desta quinta-feira em firme alta.

Os vencimentos longos percorreram a segunda etapa do pregão com avanço de mais de 10 pontos-base, em um movimento que, de acordo com agentes, foi novamente mais direcionado por fatores domésticos. Às vésperas do primeiro turno das eleições presidenciais, investidores têm cautela para redobrar apostas em uma alternância de poder em 2027, tese que vinha derrubando as taxas ao longo de setembro.

Ao mesmo tempo, a volatilidade trazida pela escalada do petróleo também não incentivou maior exposição ao risco. A commodity que voltou a superar US$ 100 no caso do Brent com as incertezas que persistem sobre um desfecho para a guerra no Oriente Médio e dúvidas sobre a oferta de diesel.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 subiu de 13,55%, no ajuste da véspera, a 13,559%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,800%, vindo de 13,764% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 aumentou de 13,945% a 14,005%.

Em igual horário, o juro da T-Note de 2 anos recuava levemente, de 4,88% a 4,793%, e o retorno da T-Note de 10 anos cedia de 5,291% a 5,238%. A curva norte-americana, que operava em alta até o início da tarde, firmou queda após dois dirigentes do Fed - John Williams e Philip Jefferson - terem sugerido que uma eventual alta de juros nos EUA pode demorar um pouco mais. Mesmo assim, o ambiente externo não representou fonte de alívio ao mercado local de renda fixa.

"Os juros americanos longos continuam em níveis elevados, o petróleo voltou a subir e o dólar ganhou força. Mesmo com algum alívio recente na inflação americana, a atividade segue mostrando resistência, mantendo a discussão sobre juros mais altos por mais tempo, principalmente na parte longa da curva", afirmou Gustavo Danilo, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos.

Para o estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren Investimentos, Luis Felipe Vital, "o Brasil está negociando mais Brasil do que externo" há alguns dias, com as atenções concentradas na eleição presidencial, o que explica boa parte do descolamento entre a curva de juros norte-americana e a brasileira. Nesta quinta, esse quadro se repetiu, mas com tendência contrária à registrada no último mês, no qual os DIs tiveram comportamento melhor que os Treasuries.

Segundo o economista-chefe da Nomad Investimentos, Vitor Kayo, o mercado segue em compasso de espera na reta final antes do primeiro turno, com atenção à nova pesquisa Datafolha, que será publicada às 19h de hoje, e aos eventos de campanha previstos para a noite. Os candidatos à Presidência participam de debate da TV Globo às 21h20, mas o presidente Lula (PT) não participará do evento e concede entrevista ao Flow Podcast a partir das 20h45.

"Acho que essa alta dos DIs é o pessoal tirando o pé das apostas. Natural que o pessoal retire risco das carteiras para a eleição", disse um estrategista ao Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), sob anonimato.


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