
São Paulo, 30/09/2026 – O volume de carne bovina importado do Brasil sob o mecanismo de salvaguarda comercial atingiu, ontem (29), 100% do limite estipulado pelo Ministério do Comércio da China, conforme previsto no Anúncio nº 87/2025 do órgão. Com o esgotamento do teto anual fixado em 1,106 milhão de toneladas para 2026, as importações do produto brasileiro que excederem a cota passarão a sofrer tarifa adicional de 55% a partir do terceiro dia subsequente ao atingimento do volume máximo.
A sobretaxa temporária será somada à tarifa de importação de 12% e ao imposto interno chinês de 9%, elevando a tributação total a patamar considerado proibitivo pela indústria frigorífica brasileira.
Para 2027, o governo chinês prevê acréscimo marginal na cota destinada ao Brasil, elevando o teto para 1,128 milhão de toneladas dentro do programa de salvaguardas previsto para vigorar até 2028, quando o limite alcançará 1,151 milhão de toneladas. Para evitar o esgotamento precoce da nova cota nos primeiros meses do próximo ano, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) vem articulando com o governo brasileiro propostas de distribuição mensal das parcelas de exportação entre frigoríficos com base no histórico de vendas e na participação de mercado.
Em paralelo, o governo brasileiro busca aval formal das autoridades chinesas para utilizar cerca de 80 mil toneladas referentes ao excedente da cota de 324 mil toneladas concedida ao Uruguai em 2026. A permissão, negociada em âmbito bilateral, ainda depende de validação de Pequim para autorizar a entrada do volume adicional sem a incidência da sobretaxa.