
Mesmo com uma paisagem marcada por áreas alagadas e uma grande cobertura de vegetação natural, a região do Marajó, no Pará, enfrenta um cenário que reforça a necessidade de preparação contra o fogo. Com risco iminente de maior volume de incêndios na região, produtores rurais de Soure participarão de uma agenda que aproxima boas práticas produtivas, assistência técnica e preparação para o combate às chamas. Nos dias 29 e 30 de setembro, funcionários das propriedades envolvidas no projeto Valorizar para Transformar, da Produzindo Certo, participam de um treinamento para prevenção, controle e combate a incêndios florestais, realizado pela Aliança da Terra por meio da Brigada Aliança.
Na região do Marajó, o fogo já atingiu áreas significativas em 2026. Na Área de Proteção Ambiental (APA) do Arquipélago do Marajó, foram 16.980 hectares queimados, segundo o Monitor do Fogo do MapBiomas. Em Soure, são 788 hectares atingidos apenas neste ano. Como outubro, novembro e dezembro são, historicamente, os meses mais críticos, os dados reforçam a importância de preparar os produtores e suas equipes para a prevenção e a pronta resposta aos incidentes.
Segundo dados de 2025 do MapBiomas Fogo, a APA do Arquipélago do Marajó registrou a terceira maior área queimada acumulada entre as unidades de conservação da Amazônia e a quinta maior do Brasil. O território, que mantém cerca de 94% de sua área coberta por vegetação natural, também enfrenta desafios relacionados a queimadas sazonais, desmatamento e pressão da pecuária extensiva.
A proposta da iniciativa coloca o produtor no centro da estratégia ambiental. Ao aderir ao programa de boas práticas produtivas, ele recebe assistência técnica para melhorar o perfil socioambiental da propriedade e, simultaneamente, passa a preparar sua própria equipe para lidar com situações de risco. O treinamento dos funcionários amplia a capacidade de resposta rápida dentro da fazenda e aproxima o conhecimento técnico da rotina de quem está diariamente no campo.
Essa integração é vital porque a prevenção não depende apenas da resposta ao fogo já iniciado. Ela envolve a gestão da paisagem, a adoção de boas práticas, o preparo operacional das equipes e a capacidade de reconhecer vulnerabilidades. Nesse processo, o produtor assume um papel direto na proteção do território onde atua.
O treinamento terá carga horária de 16 horas e será realizado no Parque de Exposições Dr. Irval Lobato, em Soure. A formação combina conteúdos teóricos e atividades práticas voltadas à prevenção, ao controle e ao combate a incêndios florestais, capacitando os participantes para atuar com rigor técnico e, sobretudo, segurança.
A iniciativa é fruto de uma articulação institucional que reúne Aliança da Terra, Produzindo Certo, Associação Rural da Pecuária do Pará (ARPP), FAEPA/SENAR e a Prefeitura de Soure, visando engajar o setor produtivo na pauta climática. Cada instituição contribui com sua expertise, mas o impacto real ocorre dentro das propriedades, com trabalhadores incorporando táticas de prevenção à rotina diária.
A ação em Soure dá continuidade ao modelo de sucesso desenvolvido pela Aliança da Terra em outros polos agropecuários, como Paragominas (PA). Nesses locais, a atuação da Brigada Aliança atua em sinergia com a assistência técnica rural, transformando a prevenção a incêndios em um pilar da gestão da propriedade.
Em um bioma que concentra vasta vegetação nativa e, paradoxalmente, lidera estatísticas de área queimada no país, fortalecer a capacidade de resposta local é prioridade máxima. “Quando o produtor adere às boas práticas, recebe assistência técnica e prepara seus funcionários, ele amplia a capacidade da própria propriedade de prevenir e responder aos incêndios, contribuindo também para uma rede de proteção mais conectada ao território”, destaca Caroline Nóbrega, diretora-geral da Aliança da Terra.
Informações: Assessoria de Imprensa
Foto: Dado Galdieri