Ibovespa tem manhã estável com cautela externa, apesar de avanço do petróleo

24/09/2026 às 12:04 atualizado por Maria Regina Silva - Estadão | Siga-nos no Google News
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O clima cauteloso no exterior respingou no Ibovespa, em meio ao recuo dos índices de ações do Ocidente na manhã desta quinta-feira, 24. Investidores aguardam o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o da China, Xi Jinping, em Washington. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse que os dois países concordaram em estender a trégua comercial até janeiro de 2027.

A alta do petróleo estimula as ações do setor, incluindo as da Petrobras, mas sem animar o Índice Bovespa, que na quarta-feira fechou em baixa de 0,86%, aos 185.814,09 pontos.

"A Bolsa está de lado. Há expectativas pelo encontro EUA-China, e pesquisa Datafolha início da noite", diz Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3. Apesar disso, os juros futuros têm viés de baixa, em meio à percepção de que o governo quer "cuidar mais do fiscal", mas há desconfiança do mercado. "Quando as pesquisas eleitorais mostram a possibilidade de alternância de poder, mexe com os ativos de forma positiva", completa Oliveira.

O avanço da commodity para perto de US$ 101 por barril no caso do Brent eleva preocupações com a inflação e juros globais. Por isso, investidores acompanham com atenção a entrevista do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, nesta manhã, para comentar o Relatório de Política Monetária (RPM).

Divulgado nesta manhã pelo BC, o RPM indicou que a inflação deve continuar recuando, mas permanece acima da meta por mais tempo. A projeção de 3,1% no primeiro trimestre de 2029, último período da série, reforça que a convergência ao centro da meta de 3% ainda não está completa.

Ao mesmo tempo, o hiato do produto mais positivo indica uma economia mais aquecida, mantendo pressão sobre os preços e sugerindo cautela com o ritmo de flexibilização monetária.

"O RPM não está mexendo com o mercado. A impressão é que não trouxe nada além do esperado", afirma Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos.

Conforme ele, o comunicado da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) na semana passada, quando a Selic de 14% para 13,75% ao ano, contou com um tom um pouco mais conservador, colocando em dúvida se haveria espaço para novo corte de 0,25 ponto porcentual (novembro). "A ata pôs peso maior na atividade, que vem perdendo ímpeto. A tendência é de ao menos mais um corte de 0,25 ponto na Selic", completa Perri.

Às 11h27, o Ibovespa cedia 0,06%, Aso 185.695,48 pontos, ante recuo de 0,28%, na mínima em 185.294,66 pontos, e máxima em 186.211,43 pontos (+0,21%). Petrobras tinha alta entre 1,05% (PN) e1,34% (ON).

A estatal, segundo o BTG Pactual, registrou em agosto uma produção de petróleo de cerca de 2,89 milhões de barris por dia, acima dos 2,77 milhões de barris por dia de julho. O banco cita dados da Dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Já Vale cedia 0,25%, apesar da estabilidade do minério de ferro.


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