Carne bovina: volume exportado recua 25,56% em agosto; receita cai 16,11%

17/09/2026 às 17:55 atualizado por Equipe AE - Estadão | Siga-nos no Google News
:
As exportações brasileiras de carnes e subprodutos do abate de bovinos (incluindo carne in natura, industrializada, miúdos comestíveis e outros subprodutos) caíram 16,11% em receita em agosto de 2026, ante igual mês de 2025, para US$ 1,399 bilhão. O volume embarcado recuou 25,56% no mesmo comparativo, para 267,34 mil toneladas. O desempenho refletiu principalmente o esgotamento da cota de exportações da carne bovina brasileira para a China, de 1,106 milhão de toneladas, com vendas acima desse volume sujeitas a sobretaxa de 55%. As informações foram compiladas pela Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). No acumulado de janeiro a agosto de 2026, as exportações do setor alcançaram US$ 12,957 bilhões, alta de 19,55% ante igual período de 2025. Em volume, houve queda de 1,14%, para 2,387 milhões de toneladas. A China manteve-se como principal compradora da carne bovina brasileira nos oito primeiros meses do ano, com aquisições de US$ 5,438 bilhões, aumento de 9,43%. Em volume, as vendas ao país asiático recuaram 7,9%, para 873 mil toneladas. Considerando apenas agosto, as exportações de carne bovina in natura para a China caíram 89,62% em receita, para US$ 92 milhões, e 89,82% em volume, para 16 mil toneladas, ante agosto de 2025. Com o preenchimento da cota, a expectativa é de retomada das vendas para o país asiático a partir de novembro, para enquadramento na cota do ano seguinte. Os Estados Unidos, que se consolidaram como o 2º maior importador da carne bovina brasileira, ganham impulso extra com a nova cota, de até 300 mil toneladas, destinada ao grupo de "outros países" (sem cota específica no mercado norte-americano) e livre da alíquota de 26,4% aplicável fora da cota. A medida vale a partir de setembro e será dividida em três parcelas mensais de até 100 mil toneladas, entre setembro e novembro de 2026, por ordem de chegada. Segundo a Abrafrigo, o Brasil deve ser o maior beneficiário, o que pode atenuar os efeitos do esgotamento da cota chinesa no período. De acordo com informações do serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP), compiladas pela adidância do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) nos Estados Unidos, até 14 de setembro de 2026 havia sido preenchido 22,16% do volume de 100 mil toneladas alocado para setembro. A associação ressalta que, pelas normas divulgadas, o volume não preenchido em um mês não é automaticamente realocado para o mês seguinte. A cota se destina às exportações de aparas magras de carne bovina (beef trimmings) descritas nos códigos de classificação (Sistema HS) 0201.30.5091, 0201.30.5097, 0202.30.5091 e 0202.30.5097. De janeiro a agosto de 2026, as vendas totais de carne bovina aos Estados Unidos somaram US$ 2 bilhões, alta de 24,75% ante igual período de 2025. Considerando apenas carne bovina in natura, a receita cresceu 62,16%, para US$ 1,458 bilhão. Em volume, houve alta de 37,24%, para 241 mil toneladas. Em agosto de 2026, antes da entrada em vigor da nova cota, as vendas de carne bovina in natura aos EUA alcançaram US$ 182,2 milhões (+385%), com embarque de 31,33 mil toneladas (+390%). A Abrafrigo destaca ainda que, em agosto de 2025, entrou em vigor tarifa adicional de 50% sobre produtos brasileiros, incluindo a carne bovina, o que pode favorecer o desempenho das vendas aos EUA nos três meses seguintes. A União Europeia foi o 3º maior destino das exportações brasileiras de carne bovina de janeiro a agosto. As vendas totais ao bloco somaram US$ 791,3 milhões, alta de 44,4% ante igual período de 2025. As exportações de carne bovina in natura cresceram 38,54%, para US$ 659 milhões, com volume 26,36% maior, a 72,95 mil toneladas. Segundo a Abrafrigo, com a barreira imposta pela UE à carne bovina brasileira - relacionada a dificuldades para o reconhecimento do protocolo de produção livre de antimicrobianos, apresentado por entidades da cadeia produtiva e homologado pelo Mapa -, a estimativa é que o Brasil deixe de embarcar cerca de 70 mil toneladas de produtos cárneos bovinos para o bloco, com impacto em torno de US$ 700 milhões para o setor entre setembro e dezembro de 2026. Pelas informações disponíveis, o governo brasileiro ainda negocia com as autoridades europeias a possibilidade de reversão da barreira. Entre outros mercados estratégicos, o Chile manteve forte ritmo de expansão, com 106,8 mil toneladas embarcadas, alta de 32,4%, e receita de US$ 650 milhões, crescimento de 47,6%. A Rússia também ampliou as compras para cerca de 96 mil toneladas, avanço de 29,4%, enquanto a receita cresceu 46,4%, para aproximadamente US$ 454 milhões. O México, por sua vez, foi o único dos cinco mercados a registrar retração: as compras caíram 18,8%, para 65,8 mil toneladas, e a receita recuou 9,4%, para US$ 399 milhões. Hong Kong apresentou recuperação, com 71 mil toneladas importadas, alta de 9,9%, e faturamento de US$ 301 milhões, avanço de 34,7%. A Arábia Saudita registrou um dos desempenhos mais expressivos, com crescimento de 24,9% em volume, para 49,7 mil toneladas, e de 56,8% em receita, para US$ 297,5 milhões. No total, o Brasil passou de 164 para 171 países compradores na comparação entre janeiro e agosto de 2025 e de 2026. Desse total, 126 aumentaram suas aquisições, enquanto 55 reduziram.

Últimas Notícias

Whatsapp