O Senado dos Estados Unidos vota nesta terça-feira, 15, se avança com um projeto que cria um novo marco regulatório para criptomoedas, em um teste político relevante para um mercado estimado em US$ 2,3 trilhões, a dois meses das eleições de meio de mandato. Democratas dizem que o texto não vai longe o suficiente para limitar investimentos do presidente dos EUA, Donald Trump, no setor e evitar que ele e sua família se beneficiem financeiramente enquanto estiverem no poder.
A votação ocorre em meio ao crescimento da influência política da indústria cripto e após Trump acumular riqueza com esses ativos durante o mandato. Embora alguns democratas apoiem a criação de regras - uma demanda antiga do setor - a bancada tem se mostrado majoritariamente contrária à proposta sem salvaguardas éticas robustas. Na segunda-feira, a senadora Elizabeth Warren, principal democrata do Comitê Bancário, afirmou que o Congresso não deve aprovar uma lei que permita a Trump "continuar a embolsar bilhões" em lucros com criptoativos enquanto famílias enfrentam alta de preços e piora da economia.
Diante da ameaça de bloqueio democrata, Trump aceitou concessões, incluindo novas restrições para que autoridades eleitas não emitam ativos digitais, como moedas-meme lançadas por ele e pela primeira-dama, Melania, antes do início do segundo mandato. No domingo, concordou ainda com medidas como mais poderes para procuradores-gerais estaduais, uma demanda democrata para reforçar a fiscalização.
Ainda assim, a maioria dos democratas considera as mudanças insuficientes. Uma proposta dos senadores Ruben Gallego, democrata do Arizona, e Thom Tillis, republicano da Carolina do Norte, buscava obrigar Trump a colocar seus criptoativos em um blind trust e a se desfazer das posições quando atingissem determinado valor. Gallego disse que a versão mais recente "deixa muito a desejar" e indicou que apresentará uma contraproposta, sem garantia de acordo antes da votação. Os republicanos precisam de apoio democrata para alcançar 60 votos e superar a barreira processual no Senado, hoje com composição 53 a 47.
Segundo apuração da AP, Trump declarou mais de US$ 500 milhões em receita com a World Liberty Financial, empresa de criptoativos na qual sua família tem participação de controle e que foi cofundada com Steve Witkoff, enviado especial do presidente. No total, ele informou mais de US$ 1,4 bilhão em receitas ligadas a negócios cripto no ano passado. Fonte: Associated Press.
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