Documentos da Polícia Federal tornados públicos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na noite desta quinta-feira, 10, dizem que o dono do Banco Master Daniel Vorcaro tinha uma estrutura organizada no campo digital para fabricar reputação positiva e neutralizar críticas. A investigação também aponta que o empresário demandou que Luiz Phillipi Mourão, o "Sicário", publicasse comentários positivos em notícias da venda do Master ao BRB.
"Em relação à tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), Felipe Mourão encaminhou diversas matérias sobre o assunto, ocasião em que Daniel Bueno Vorcaro determinou a realização imediata de múltiplos comentários nas publicações, a fim de transmitir a impressão de que a operação havia sido bem-sucedida", dizem os investigadores nos documentos tornados públicos.
Como já mostrou o Estadão, o publicitário Thiago Miranda, ex-sócio do portal Leo Dias, encomendou a confecção de um dossiê sobre um diretor do Banco Central para abastecer Daniel Vorcaro durante o processo de fiscalização da autarquia que resultaria na liquidação do Banco Master. Além disso, mensagens de Luiz Phillipi Mourão transcita pela PF cita pagamento para "DCM e dois editores". O site negou ter recebido os documentos.
Nas peças agora sem sigilo, há diversos prints de WhatsApp que mostram a atuação de Sicário e Vorcaro na articulação para tentar manipular a impressão pública sobre seus negócios nos meios virtuais. Ele inclusive dá orientações ao "funcionário" para que os comentários não sejam tão positivos, que pareçam naturais.
"Registra-se que foram identificados indícios de que Daniel Bueno Vorcaro mantém uma estrutura organizada voltada à manipulação de avaliações públicas e à produção artificial de comentários positivos relacionados às empresas sob seu controle. As mensagens analisadas demonstram que integrantes de sua equipe recebiam orientações para elevar notas de aplicativos, inserir avaliações favoráveis e criar interações positivas com o objetivo de reforçar a percepção de qualidade dos serviços prestados", concluem.
Como mostrou a Estadão, em janeiro de 2026, instituições e personalidades envolvidas com a operação do Banco Master sofreram uma tentativa de assassinato de reputação nas redes sociais pouco antes da virada do ano.
O movimento foi concentrado em 36 horas com picos muito claros em algumas contas que são conhecidas por alavancar novas celebridades, principalmente do mundo artístico, mas não teve o potencial de "furar a bolha" e viralizar para geradores de conteúdos mais tradicionais, como a grande mídia.
De acordo com as investigações, Vorcaro teria seguido atuando no meio digital mesmo depois de preso. Ele poderia, inclusive derrubar contas de redes sociais que fossem desfavoráveis a seu grupo e o faria com "aparente facilidade".
Em janeiro, levantamento obtido pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) mostrou uma série de postagens tentou colocar em xeque a credibilidade de órgãos públicos e privados, como o Banco Central e a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) em relação à operação de liquidação extrajudicial do Master, decretada em novembro pelo BC e que está sob o escrutínio do Tribunal de Contas da União (TCU).
A PF avalia que usar as redes para influenciar o debate para seus interesses era um modus operandi de Vorcaro. "Dessa forma, mantendo sempre o modus operandi, Daniel Bueno Vorcaro valia-se desse artifício para influenciar a opinião pública e reforçar a percepção de que ele e seu banco possuíam uma reputação constantemente positiva", completam.