El Niño pode tirar até 12 milhões de t da safra brasileira de soja, diz MB Agro

Projeção considera os ganhos de produtividade acumulados desde aquele período, combinados com a menor utilização de tecnologia e fertilizantes na atual temporada

11/09/2026 às 09:30 atualizado por Julia Maciel - Estadão | Siga-nos no Google News
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São Paulo, 11/09/2026 – Eventuais perdas na safra brasileira de soja provocadas pelo fenômeno El Niño podem atingir até 12 milhões de toneladas em um cenário de estresse climático semelhante ao de 2015, estimou o sócio-consultor da MB Agro, Alexandre Mendonça de Barros, durante videocast promovido ontem (10) pelo BB Seguros e pelo Banco do Brasil (BB).

A projeção considera os ganhos de produtividade acumulados desde aquele período, combinados com a menor utilização de tecnologia e fertilizantes na atual temporada. Segundo o consultor, o El Niño provoca diferenças regionais acentuadas no País. A Região Sul e áreas de São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul apresentam menor risco de frustração de safra, embora o excesso de chuva possa prejudicar os trabalhos. Por outro lado, Centro, Norte e Nordeste concentram risco climático elevado de perdas, com o agravante de terem participação relativa de área plantada muito maior do que há dez anos.

Para Mendonça de Barros, a percepção desse risco climático já está sendo precificada no mercado internacional, somando-se às perdas na safra de milho na Europa e às dúvidas sobre a produtividade nos Estados Unidos. Diante desse quadro, fundos de investimento voltaram a montar posições compradas em níveis recordes em soja, milho, trigo e algodão.

Na China, compradores antecipam a demanda por soja para janeiro e elevam os prêmios de exportação no Brasil. “Minha impressão é que os chineses já viram que tem um risco de diminuir a oferta mesmo. Desde maio nós estamos vendo as posições aumentando”, disse Mendonça de Barros.

Para a comercialização diante do cenário climático, a orientação do consultor varia conforme a localização da propriedade e o nível de risco produtivo. “Produtores de regiões de maior risco climático devem tomar mais cuidado, não sobrevender. Vender e não colher é talvez o maior problema que você pode ter”, alertou Mendonça de Barros. “Nas regiões em que a tendência do clima é melhor e em que os produtores têm boa tecnologia, tendo a achar que já dá para a gente montar alguma posição de venda, sim, aproveitando essa melhora que aconteceu nos preços”, completou.


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