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São Paulo, 10 de setembro de 2026 – Os preços futuros do café recuaram acentuadamente no início de setembro, em meio à mudança nas perspectivas globais de oferta. Após encontrarem suporte entre julho e agosto, os contratos passaram a refletir a expectativa de maior disponibilidade, diante dos sinais de recuperação das exportações brasileiras, das condições climáticas favoráveis à próxima safra do país e dos fluxos robustos do Vietnã, segundo análise da Hedgepoint Global Markets.
Na semana passada, o contrato de Arábica para dezembro de 2026 recuou 5,5%, encerrando a 295,6 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira, 04, enquanto o Robusta para novembro de 2026 caiu 2,8%, fechando a US$ 3.430 por tonelada.
“Os dados parciais até 31 de agosto sugerem forte recuperação dos volumes exportados pelo Brasil e indicam que a safra recorde está chegando aos mercados de destino. Ao mesmo tempo, as chuvas recentes melhoraram as perspectivas para a safra 2027/28”, afirma Laleska Moda, analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.
Exportações brasileiras voltam ao radar do mercado
Um dos principais fatores por trás do movimento recente é a melhora nas perspectivas de oferta do Brasil, tanto para a safra 2026/27 quanto para a de 2027/28. Embora o mercado ainda aguarde os dados oficiais de exportação do Cecafé, previstos para meados de setembro, números parciais até 31 de agosto sugerem forte recuperação dos volumes exportados durante o mês.
Segundo a Hedgepoint, os dados indicam que a atividade comercial no Brasil pode estar aumentando e sinalizam que a safra recorde está finalmente chegando aos mercados de destino.
Chuvas melhoram perspectivas para a safra 2027/28
Além dos embarques, os recentes desenvolvimentos climáticos no país também contribuíram para o movimento de baixa. Com a safra 2026/27 praticamente concluída, as chuvas recentes em grande parte do Sudeste brasileiro melhoraram as perspectivas para o desenvolvimento da safra 2027/28.
A previsão indica maior volume de precipitação na maioria das regiões produtoras de café nos próximos dias, seguido por aumento das temperaturas após a segunda quinzena, combinação que pode desencadear uma floração generalizada. Segundo a Hedgepoint, se a florada for substancial, poderá exercer ainda mais pressão sobre os preços.
Precipitação acumulada nas regiões cafeeiras do Brasil (mm)
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| Fonte: Somar, Bloomberg, Hedgepoint |
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Previsão de precipitação no Brasil para os próximos 14 dias – Modelo Europeu (mm)
No mercado de Arábica, o cenário técnico permanece neutro. O Índice de Força Relativa (IFR) continua fora da zona de sobrevenda, deixando espaço para uma queda adicional no contrato de dezembro. Caso as condições climáticas no Brasil permaneçam favoráveis, os preços da variedade provavelmente continuarão abaixo de 300 centavos de dólar por libra-peso.
Robusta também sente o peso da oferta
No mercado de Robusta, a melhora das perspectivas não se limita ao Brasil. Dados parciais da alfândega vietnamita indicam que as exportações do Vietnã devem permanecer acima da média em agosto, reforçando a expectativa de oferta abundante no curto prazo.
Os estoques certificados de Robusta, ao contrário dos de Arábica, também apresentaram forte recuperação nas últimas semanas, apoiados pelo aumento dos envios do Brasil e da Indonésia.
Estoques Certificados do Robusta (‘000 scs)
Ainda assim, nesta semana o mercado passou por operações de cobertura, dando algum suporte. Além disso, permanecem no radar o possível impacto do El Niño e o fato de que a safra vietnamita 2026/27 só deve ganhar ritmo no final de outubro.
Mercado acompanha tensão nos títulos globais
O ambiente macroeconômico também contribuiu para o aumento da volatilidade nos mercados de commodities. Os rendimentos dos títulos públicos de dez e 30 anos em economias como Estados Unidos, Japão, França, Reino Unido e Alemanha subiram acentuadamente, atingindo máximas de vários anos no início de setembro. O movimento reflete os conflitos no Oriente Médio, que continuam alimentando preocupações inflacionárias, especialmente na Europa, além do aumento dos déficits fiscais nos Estados Unidos e no Japão.
Nos Estados Unidos, a alta dos rendimentos reais ganhou força à medida que a expansão da dívida pública, que supera US$ 40 trilhões, ocorre em um contexto de crescimento econômico resiliente e vendas no mercado de títulos. Ao mesmo tempo, empresas de tecnologia ampliaram as emissões para financiar investimentos em inteligência artificial, levando os títulos corporativos a um nível recorde.
Rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA
Para o setor cafeeiro, o aumento dos custos de financiamento merece atenção, pois a estrutura de mercado dos últimos anos já elevou os custos financeiros ao longo da cadeia. Juros mais altos, especialmente nos países consumidores, podem manter elevados os custos de financiamento e de carregamento para torrefadores, importadores e comerciantes, desestimulando a recomposição de estoques.
Perspectivas
Apesar da recente queda dos preços, a Hedgepoint avalia que a volatilidade pode persistir no médio prazo. Com os estoques nos mercados de destino permanecendo relativamente baixos, os preços do café devem continuar sensíveis aos desenvolvimentos relacionados à oferta.
A expectativa de exportações brasileiras mais robustas, as chuvas favoráveis nas principais regiões cafeeiras do país e a possibilidade de uma floração generalizada melhoraram as perspectivas de oferta e pressionaram os preços.
No mercado de Robusta, os fluxos de exportação mais firmes do Vietnã e do Brasil e a recuperação dos estoques certificados reforçam a expectativa de oferta abundante no curto prazo. Ao mesmo tempo, o possível impacto do El Niño e os custos de financiamento mais elevados permanecem como pontos de atenção.
Informações: Hedgepoint Global Markets