Sicredi: desembolso para safra 2026/27 deve acelerar neste mês

03/09/2026 às 18:50 atualizado por Isadora Duarte* - Estadão | Siga-nos no Google News
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Esteio (RS), 03 - O banco cooperativo Sicredi espera ver avanço na contratação de financiamentos para a safra 2026/27 a partir deste mês. Em julho, primeiro mês da safra e dado mais recente disponível, a instituição liberou R$ 5,6 bilhões em 27,2 mil operações de crédito rural no âmbito do Plano Safra 2026/27, alta de 6% ante igual período da temporada passada. "Em nível nacional, há crescimento, mas, em algumas regiões, os desembolsos começam a andar agora porque produtores aguardavam a operacionalização da Medida Provisória (MP) de renegociação de dívidas rurais para reestruturar passivos antes de iniciar o custeio e os investimentos da próxima safra", disse o diretor executivo de Crédito e Negócios do Sicredi, Gustavo Freitas, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro, nos bastidores da Expointer, feira agropecuária realizada em Esteio, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Segundo Freitas, até o momento o ritmo de operações está mais forte em áreas do Paraná e de Mato Grosso e menos acelerado no Rio Grande do Sul e no oeste do Paraná, por exemplo. "São regiões em que há maior impacto de enquadramento na MP 1.376/26, em virtude dos choques climáticos. Com o avanço das renegociações no âmbito da MP, as operações de custeio tendem a crescer também nessas regiões. Esperamos alta de 4% no desembolso neste ano, acima da safra passada, mas inferior às médias históricas de dois dígitos", afirmou. O Sicredi ofertou R$ 72,1 bilhões para financiamentos no ciclo 2026/27, aumento de 4,4% ante a temporada anterior, quando foram concedidos R$ 69 bilhões. A expectativa é contratar 340 mil operações. O maior apetite dos produtores rurais tem sido por operações de custeio, de acordo com Freitas, diante da cautela para novos investimentos. "Temos observado avanço maior do custeio e ritmo bem menor em investimentos, como compra de máquinas", disse. Dos R$ 5,6 bilhões liberados no primeiro mês da safra, R$ 2,6 bilhões vieram de operações de custeio, segundo o executivo. Além do impacto da renegociação de dívidas rurais, os juros elevados também afastam produtores de novos investimentos, afirmou Freitas. "O produtor que está endividado ou precisando reajustar o fluxo está mais comedido, segurando novos investimentos", acrescentou. Para Freitas, há ao menos três perfis de situação financeira entre os produtores: os que estão adimplentes, mas alavancados, com renegociações anteriores em andamento e buscando novo crédito para a safra; os que estão inadimplentes e aguardam reabilitação para novas operações; e um grupo que deve usar capital próprio para financiar a safra, com fôlego proporcionado pela renegociação atual. Renegociação de dívidas rurais O Sicredi espera renegociar cerca de R$ 10 bilhões em dívidas de pequenos, médios e grandes produtores, entre recursos livres e controlados, no âmbito da Medida Provisória 1.376/2026. As operações começaram há cerca de três semanas. "Até o fim da semana passada, registramos perto de R$ 1 bilhão em renegociações. Acreditamos que as operações devem ganhar ritmo ao longo deste mês", disse Freitas. Parte dos recursos virá de captação própria do banco cooperativo, além dos equalizados pelo Tesouro. Freitas pondera que, apesar das renegociações em andamento, o "risco moral" - como as instituições financeiras classificam a mudança de comportamento dos produtores no pagamento das operações - diminuiu, mas continua presente. "O produtor tem um fluxo de pagamentos cada vez mais apertado, plantando a próxima safra com insumos mais caros e expectativa de preços estáveis. Quando há renegociação ou anúncios de reestruturação, muitos ficam em compasso de espera. Uma grande parte das operações não foi contemplada pela MP, e parte dos produtores ainda espera saber se haverá enquadramento das parcelas", afirmou. O indicador de inadimplência do crédito rural divulgado pelo Banco Central, que atingiu recorde de 8,8% em julho, reflete esse movimento, segundo o executivo. Ele destacou que há um volume expressivo de parcelas com vencimento em junho, julho e agosto, em razão do calendário agrícola. "O salto foi grande justamente porque a MP ainda não estava operacionalizada. Nunca vimos esse patamar, mas agora as operações começam a rodar, e o produtor toma a decisão de reestruturar as dívidas e financiar a próxima safra", disse. *A jornalista viaja a convite do Sicredi

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