O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, avaliou nesta segunda-feira, 31, que o mercado de Treasuries tem mostrado desempenho superior ao de pares internacionais e minimizou o potencial de iniciativas de recompra de títulos para alterar, por si só, a dinâmica das taxas. O movimento recente do mercado de renda fixa deve ser lido em um contexto global de escalada dos rendimentos soberanos, sem que isso implique deterioração específica dos papéis americanos, segundo ele.
Bessent defendeu que, desde o início do governo Trump, os juros dos Treasuries permanecem praticamente estáveis. "Eu não tentei mudar a direção dos rendimentos e não acredito que eu possa mudar o preço de equilíbrio, mas nada nunca está em equilíbrio. Meu papel é desacelerar os movimentos e garantir que sejam baseados em fatos", disse em entrevista à CNBC, às margens da reunião de ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais do G20, em Asheville, na Carolina do Norte.
Sobre críticas de economistas e investidores como Stanley Druckenmiller, o secretário minimizou os comentários e se limitou a reiterar que o trabalho do governo é garantir que o mercado de títulos olhe para os fundamentos e seja o incentivo e disciplina "necessários" para a política fiscal. Nesse fronte, ele ressaltou que trabalha em um pacote de consolidação fiscal, mas indicou que os detalhes ainda serão apresentados.
Ao comentar o cenário macroeconômico, Bessent afirmou que a inflação enfrentou um choque temporário associado a gargalos de oferta e disse acreditar que os EUA passaram por um choque dessa natureza. Nesse ambiente, observou, bancos centrais "não costumam elevar juros", a menos que surjam efeitos secundários mais persistentes. Ele acrescentou que o núcleo da inflação está "majoritariamente contido".
Bessent também destacou que investimentos ligados à construção de infraestrutura e à expansão de aplicações de inteligência artificial (IA) devem se traduzir em ganhos de produtividade e, com o tempo, ter caráter desinflacionário.
Questionado sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), o secretário evitou antecipar decisões e afirmou que não irá especular sobre o que o banco central fará em setembro. Ele acrescentou, ainda, que ele e o presidente do BC, Kevin Warsh, estão "na mesma página" quando o assunto é o mercado de títulos.
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