Em uma sessão cuja tendência foi definida já pela manhã, mais carregada de dados, os juros futuros percorreram o restante do pregão desta quarta-feira, 26, andando de lado. A deflação de 0,4% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-15) em agosto chegou a derrubar as taxas em um primeiro momento, mas o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE, na sigla em inglês) nos EUA acima do previsto pressionou o retorno dos Treasuries, o que impactou a curva local, ainda que de forma bastante comedida.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,673%, no ajuste anterior, a 13,670%. O DI para janeiro de 2029 subiu a 14,110%, de 14,096%. O DI para janeiro de 2031 passou de 14,348% a 14,335%.
Em igual horário, o retorno da T-note de dez anos subia de 4,634% para 4,649%, enquanto o rendimento do papel de dois anos aumentava de 4,201% para 4,217%. A publicação do PCE - que avançou 0,2% no mês passado ante julho, mais do que o consenso de mercado de 0,1% -, não só deu fôlego a curva de títulos americanos, mas também apagou o alívio mostrado pelos DIs na abertura do pregão, em uma reação inicial ao IPCA-15.
"O principal movimento no mercado de juros aconteceu pela manhã", afirmou Carlos Lopes, economista do banco BV. "Quando o PCE foi divulgado, passou a ter influência na curva dos EUA, que teve alta o dia todo, e isso trouxe os DIs para mais perto do zero a zero, com alguns vértices levemente positivos", o que se manteve ao longo da tarde, apontou. "Acho que foi um dia de pouca movimentação".
Segundo a consultoria BuysideBrazil, a surpresa para cima no dado veio principalmente da inflação subjacente, com aceleração tanto em bens quanto em serviços, enquanto energia e alimentos recuaram no mês e ajudaram a limitar a alta do índice cheio. "O resultado sugere que o processo de desinflação segue gradual, com a composição do núcleo ainda mostrando pressões relevantes, especialmente em serviços", aponta a economista-chefe, Andrea Damico, em relatório.
Por aqui, a mesma tendência foi verificada, ainda que o IPCA-15 tenha recuado. Os serviços subjacentes, núcleo criado pelo Banco Central para acompanhar a evolução de preços mais sensíveis à política monetária, aceleraram de 0,43% a 0,50% na passagem mensal, e se mantêm rodando em 5% na medida acumulada em 12 meses.
Gestor de renda fixa da Armor Capital, Igor Campos aponta que o dado cheio não ficou muito longe do que o mercado previa e, analisando o índice sob ótica qualitativa, houve um alarme negativo dado pelos serviços subjacentes. "De maneira geral, o IPCA-15 não muda a opinião de ninguém. Nem de quem estava com visão mais construtiva, nem de quem estava com visão mais conservadora", resumiu.
No final da tarde, a curva de juros futuros apontava 87% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em setembro, ante 13% de manutenção. Para a reunião seguinte do Comitê de Política Monetária (Copom), em novembro, as chances de corte se reduzem a 49%, com 42% de redução de 0,25 ponto e 7% de chance de 0,50 ponto, observou Campos.
Para o gestor, a autoridade monetária tem condições de prosseguir no ciclo de calibragem da Selic no próximo mês, mas caso mantivesse o juro básico nos atuais 14%, em uma postura mais conservadora, poderia entregar um ciclo mais consistente de queda à frente.
Embora o petróleo tenha fechado em tímida queda nesta quarta, Campos acrescenta que o ambiente externo segue impondo cautela, dado que, além da guerra no Oriente Médio, o conflito entre Rússia e Ucrânia voltou a se acirrar.