Taxas de juros seguem Treasuries e têm firme queda, com possível cessar-fogo EUA-Irã

25/08/2026 às 18:18 atualizado por Arícia Martins - Estadão | Siga-nos no Google News
:

Em um pregão já positivo para a renda fixa, os juros futuros ampliaram a queda e renovaram mínimas intradia em todos os trechos da curva a termo na etapa final da sessão desta terça-feira, 25. O movimento, alinhado ao fechamento da curva dos Treasuries, teve como gatilho notícia da agência russa RIA Novosti de que Estados Unidos e Irã teriam concordado com um cessar-fogo. O tratado, segundo fontes iranianas e paquistanesas, envolveria livre navegação no estreito de Ormuz.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 13,701%, no ajuste da véspera, a 13,68%. O DI para janeiro de 2029 teve baixa a 14,055%, vindo de 14,174%. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,421% a mínima intradiária de 14,285%.

Sem dados econômicos relevantes na agenda doméstica nesta terça, o movimento de alívio maior ocorreu em linha com o fechamento da curva dos Treasuries, também contando com suporte do dólar bem comportado, ambos favorecidos pelo ambiente global de maior disposição a tomada de risco. Nem mesmo o leilão mais pesado de títulos atrelados à inflação, realizado pelo Tesouro Nacional, interferiu no alívio mostrado pela curva a termo.

O maior vetor para o fechamento das curvas de juros, tanto aqui quanto lá fora, foi a redução de cerca de 3% dos contratos futuros de petróleo na sessão, embalada por notícias mais favoráveis no front da guerra. O contrato do Brent para novembro fechou em US$ 87,27 o barril, com baixa de 3,6%, depois de Irã e Omã acertarem nesta terça a criação de um corredor marítimo conjunto e temporário no Estreito de Ormuz. Além disso, a Al Arabiya informou que os EUA teriam proposto suspender o bloqueio e as sanções ao Irã em troca da reabertura do estreito e do fim dos ataques de aliados de Teerã.

Já mais perto do fechamento da sessão, o recuo da commodity energética acelerou a 5% no pregão eletrônico, fornecendo alívio adicional à curva de títulos norte-americanos e respingando também nos ativos locais. "Hoje [terça-feira, 25] a queda do petróleo chamou atenção", disse Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, o que, em sua visão, respalda o cenário embutido na curva de juros para a política monetária no curto prazo.

No fim da tarde, a curva apontava 88% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual na reunião de setembro do Comitê de Política Monetária (Copom), praticamente sem mudanças em relação a segunda-feira. Já a aposta de outra redução no encontro de novembro do colegiado aumentou de segunda para terça, embora siga minoritária, de 20% a 28%.

Segundo Gustavo Danilo, analista de renda fixa da Manchester Investimentos, a leitura da oscilação dos DIs nesta terça-feira é menos de um movimento específico do Brasil e mais de um ajuste global dos mercados. "Temos uma combinação de juros americanos em queda, petróleo recuando e moedas relativamente comportadas, que acaba permitindo também alguma retirada de prêmio da curva doméstica. Sem grandes catalisadores locais na sessão, o mercado brasileiro acompanha esse ambiente externo mais benigno", comentou.

Por aqui, o Tesouro realizou nesta terça a segunda maior emissão de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B) do ano. O volume financeiro de R$ 7,34 bilhões alcançado com a venda dos papéis foi inferior apenas ao da emissão de R$ 8,7 bilhões de 3 de fevereiro, segundo cálculos de Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia. Ainda assim, o certame não gerou maiores impactos sobre a curva de juros.


Últimas Notícias

Whatsapp