Agricultura

Guavira, mais do que um fruto nativo

Viabilidade do cultivo da fruta é estudada, além da sua utilização econômica e culinária

11/12/2019 - 13:00 | Por Pâmela Machado* - SBA | Siga-nos no Google News
Guaviral na fase de florescimento
Foto: Pâmela Machado

Guavira ou gabiroba é o nome para a fruta nativa do cerrado, símbolo do Mato Grosso do Sul, rica em vitamina C e presente em arbustos de mata nativa. Os guavirais florescem em períodos com pouca disponibilidade de água e após a seca, com o ponto de colheita geralmente no mês de novembro e até a primeira semana de dezembro. Em entrevista ao portal SBA1, diferentes profissionais trazem informações sobre a fruta desde áreas de pesquisa, culinárias e empreendimentos.

A guavira pode estar presente em diferentes estados como São Paulo, Tocantins, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Distrito Federal, Bahia, parte de Minas Gerais até a Santa Catarina. A engenheira agrônoma e doutora em produção vegetal, Ana Cristina Araújo Ajalla Volpe destaca que a fruta é uma espécie nativa que está com a domesticação e cultivo em estudos. “Ou seja, estamos estudando a melhor maneira de cultivá-la. Ainda estamos em fase inicial das pesquisas agronômicas onde avaliamos sistemas de cultivos e a produtividade”.

Do cultivo à colheita

O arbusto que necessita de condições de seca e sol, tem seu fruto perecível que deve ter colheita imediata. Entretanto, a fase de domesticação como foi dito, está em fase de estudos. A doutora em produção vegetal destaca que a Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul (Agraer) possui um projeto que auxilia na implantação de unidades demonstrativas em áreas de agricultores que são atendidos pela instituição. “Existe umas regras a serem seguidas. A primeira é ter um profissional da área para acompanhar a atividade, pois existem vários aspectos técnicos a serem considerados e, sem acompanhamento, o produtor corre o risco de perder o plantio. A guavira começa a produzir após 3 anos de plantio. Durante este período deve ser mantida sem concorrência com outras plantas, como plantas daninhas, receber adubações de implantação e manutenção”.

Para a colheita da fruta, a engenheira agrônoma e doutora em agronomia, Raquel Pires Campos afirma que existe um ponto de colheita ideal que deve ser observado, caso não seja seguido, a fruta pode ficar amarga e não amadurecer após a colheita. A fruta deve ser colhida na maturidade fisiológica, ponto chamado comercialmente de “de vez”. “É um fruto muito perecível, com uma vida útil pequena, tem que colher ela firme, mas ela deve ter atingido todas as condições para amadurecer perfeitamente. Se colher no pé, bem madura, ela realmente acentua muito o sabor doce”.

Utilidades da Guavira

A guavira possui benefícios nutricionais altos, com a presença de vitamina C 20 vezes mais que a laranja. Outro ponto, é que a fruta quando com cor amarela, possui betacaroteno, que indica a presença de vitamina A, fator importante que contribui para a visão, pele, além de evitar infecções. Entretanto, apesar do consumo geralmente in natura a fruta possui outras possibilidades de consumo.

Com aproveitamento da casca e da polpa, a guavira pode ser utilizada por pessoas que querem empreender. A doutora em agronomia, Raquel Campos afirma que diferentes utilizações da fruta podem ser aceitas devido ao sabor. “É possível fazer geléia da fruta, que tem muita aceitação. Além do sorvete, picolé e iogurte de guavira. A guavira é um produto que a gente tem visto muita aceitação, é da mesma família da goiaba, então tem um paladar gostoso, sui generis que é peculiar dela mesmo”.

Guavira como investimento econômico

A química, especialista em tecnologia de alimentos, Darli Castro Costa é dona de uma empresa que resolveu investir na criação de picolés do ramo de frutos regionais do Mato Grosso do Sul. A empresa leva o nome de “Picolé Frutos do Mato” e além dos 40 sabores, possui a guavira como parte do cardápio. “O picolé de guavira como os outros está dentro do bioma sul-mato-grossense, e não poderia ficar de fora. Especialmente porque é uma polpa suave bem adocicada, com um aroma e frescor muito agradável que combina muito com picolé”.

Algumas dificuldades ainda são encontradas, devido a dependência da produção dos frutos nativos. “Ano passado deu muita guavira já este ano em várias regiões não deu nada. Com certeza para o ano de 2020 vamos ter muitas dificuldades em manter o produto”. A falta da fruta, entretanto, influencia no custo de produção do produto. “Em relação ao custo da guavira por conta de toda essa situação e dificuldade de coleta ainda está muito alto. O picolé de guavira é de maior valor de produção, dentre os regionais”.

Entretanto, segundo Darli Costa, o investimento em produtos que utilizam frutos regionais é uma opção. “Acho que quem faz a opção de trabalhar esses frutos só tem a ganhar, eles tem um bom valor comercial, e ainda estamos preservando, divulgando e incentivando a cultural regional. Como a guavira virou a fruta símbolo do Mato Grosso do Sul, a procura que já era grande aumentou muito de lá pra cá”.

Do doce ao salgado

Como já citado, a guavira pode ser aproveitada em diferentes receitas culinárias. De acordo com a chef e culinarista Marinês Bertagnolli, a fruta pode ser aproveitada em bolos, geléias e molhos. Entretanto, a fruta exige cuidados. “Devemos ter cuidado com a semente, pois ela pode amargar seu prato. Sempre quando for tirar a polpa da guavira evitar de quebrar a semente”.

Marinês Bertagnolli explica que a fruta também pode ser utilizada em pratos salgados. “Podemos usar em molhos de peixe, molhos agridoces para acompanhar carnes”. Por fim, para aqueles que se interessam em saborear a fruta em um dos exemplos citados pela chef, a culinarista explicou uma de suas principais receitas que utiliza a fruta: pintado com molho agridoce de guavira.

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