São Paulo, 24 - As estimativas da publicação Pro Farmer para a safra de milho nos Estados Unidos vieram bem abaixo das projeções mais recentes do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Já as projeções para a soja vieram acima dos números da agência. Em suas estimativas, a Pro Farmer usa dados coletados durante a expedição Pro Farmer Crop Tour, mas também considera outros fatores, como a maturidade das culturas, ajustes de área, regiões fora da rota da expedição e análises históricas. A expedição percorreu lavouras de soja e milho em sete Estados do Meio-Oeste dos EUA nesta semana.
As projeções, divulgadas após o fechamento dos mercados de grãos na Bolsa de Chicago (CBOT) na sexta-feira passada, 21, indicam que agricultores devem colher 15,344 bilhões de bushels (389,74 milhões de toneladas) de milho em 2026/27, com produtividade média de 173,2 bushels por acre (10,872 toneladas por hectare). A previsão mais recente do USDA, divulgada no começo deste mês, é de uma safra de 16,013 bilhões de bushels (406,73 milhões de toneladas), com rendimento de 180,7 bushels por acre (11,342 toneladas por hectare).
Para a soja, a Pro Farmer estimou uma colheita de 4,572 bilhões de bushels (124,44 milhões de toneladas), com rendimento recorde de 53,3 bushels por acre (3,585 toneladas por hectare). No começo do mês, o USDA estimou a produção em 4,519 bilhões de bushels (123 milhões de toneladas), com rendimento de 52,7 bushels por acre (3,544 toneladas por hectare).
O líder da parte leste da expedição, Lane Akre, disse que a diferença entre os números do USDA e os da Pro Farmer para o milho está relacionada à qualidade dos dados. "O USDA está entrevistando produtores que estão observando as lavouras, então eles têm uma boa noção da situação, mas não há dados objetivos envolvidos", disse Akre no boletim final da expedição. "Quando você vai a campo e começa a contar as espigas e medir os grãos, percebe que a lavoura simplesmente não está no nível em que deveria estar." Ele disse acreditar que o relatório de oferta e demanda de setembro do USDA trará ajustes para baixo nas estimativas de rendimento, para refletir os impactos do estresse climático sobre as lavouras. "Acredito que eles verão a mesma coisa que nós observamos nesta última semana."
O líder da rota oeste da Pro Farmer Crop Tour, Chip Flory, e a consultora de dados da expedição, Emily Carolan, destacaram que uma onda de frio após a emergência do milho, seguida por um mês de junho extremamente chuvoso, prejudicou o desenvolvimento da safra. Ainda assim, Flory afirmou que 2026 não deve ser confundido com um ano ruim. Ele classificou o que observou nos campos como uma boa safra, que apenas parece mais fraca quando comparada à de 2025.
Já a soja é uma história totalmente diferente, observou Flory. "A safra de soja ainda tem umidade suficiente para completar seu desenvolvimento", afirmou. "Além disso, há uma quantidade adequada de vagens nas lavouras. Não subestimem a soja."