Os juros dos Treasuries operaram em alta nesta sexta-feira, 21, com os rendimentos neutralizando os efeitos do anúncio da recompra de títulos pelo Departamento do Tesouro feito na quarta-feira. O tema dominou o mercado desde então, deixando de lado questões como o avanço da inflação e a reação do Federal Reserve (Fed).
Por volta das 17h00 (de Brasília), o juro da T-note de 2 anos avançava a 4,228%, o rendimento da T-note de 10 anos tinha alta a 4,732% e o do T-bond de 30 anos subia a 5,272%.
O rendimento da T-note de 10 anos se recuperou e anulou a queda ocorrida após o anúncio da recompra de títulos, enquanto o rendimento do T-bond de 30 anos também reverteu parte da perda registrada no mesmo período, "como era de se esperar" na avaliação de Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote. "A ideia de que Washington está disposta a recomprar dívida - em vez de ajustar sua política fiscal e desacelerar o crescimento do endividamento - ao mesmo tempo em que exerce pressão crescente sobre a política do Fed, não pareceu tão atraente assim que a realidade se impôs, ao contrário da impressão inicial nas horas seguintes ao anúncio", aponta.
Para a Capital Economics, fatores como um "desejo incomumente forte de proteção" contra eventos extremos podem fazer com que a distribuição implícita nas opções difira das reais crenças dos investidores. "Isso implicaria que o atual rendimento neutro ao risco para títulos de 10 anos situa-se na faixa de 3,3% a 3,4%, o que é consistente com um prêmio de prazo de 10 anos em torno de 1,3% a 1,4%", aponta a consultoria, sugerindo a faixa próxima a atual de 4,7% da T-note de 10 anos.
A Capital alerta que, como consequência, os Treasuries podem sofrer novas pressões, caso o mercado passe a compartilhar a visão de que a taxa de juros do Fed permanecerá próxima de 4% na próxima década. A consultoria "duvida" que os prêmios de prazo continuarão a subir no ritmo recente, mas pondera que provavelmente continuarão elevados.
Na próxima semana, indicadores como o índice de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) deverão trazer de volta o foco nos preços, assim como os impactos da alta do petróleo na inflação de energia.