A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) comemora o encerramento do primeiro semestre com cerca de 632 mil postos de trabalho com carteira assinada no comércio atacadista paulista, confirmando o recorde da série histórica, iniciada em 2020. Ao mesmo tempo, a entidade lamenta que esse número poderia ser maior não fosse a elevada taxa básica de juro, atualmente em 14% ao ano.
"Mesmo com o maior número de trabalhadores da série histórica, o ritmo de contratações diminuiu frente a juros altos, endividamento em elevação e inflação acima do centro da meta", lamenta a entidade.
Em junho, na comparação interanual, o emprego formal no atacado avançou 1,2% na comparação com o mesmo mês de 2025. O maior contingente de trabalhadores estava concentrado nos grupos de alimentos e bebidas, com 194 mil postos, seguido por produtos farmacêuticos, perfumarias e higiene pessoal, com admissão de 63.539 novos colaboradores, e máquinas de uso comercial e industrial, que registrou as carteiras profissionais de 62.469 trabalhadores.
Mas, no semestre, o saldo de vagas criadas encolheu, reitera a FecomercioSP. Enquanto entre janeiro e junho de 2025 o atacado gerou 12.005 vagas, em 2026 foram criados 5.536 postos de trabalho no mesmo período, resultado de 159.515 admissões e 153.979 desligamentos, no pior saldo para um primeiro semestre desde 2020.
A FecomercioSP ressalta que o comércio atacadista é o principal elo entre quem produz e quem vende aos consumidores finais, concentrando a venda de produtos em grandes quantidades para empresas e lojistas. O setor ocupa posição estratégica na cadeia de distribuição de mercadorias ao intermediar a produção industrial, a agropecuária e o varejo, além de financiar o capital de giro da cadeia e viabilizar a capilaridade da oferta de produtos em todo o território nacional.
Ainda, segundo a Federação, em São Paulo o segmento sustenta uma ampla e diversificada base de empregos, refletindo a heterogeneidade da economia paulista ao abranger a distribuição de alimentos, insumos agropecuários, bens de consumo duráveis, produtos intermediários e insumos para a saúde.
No recorte por atividades, alimentos e bebidas foi o principal destaque positivo no semestre, com a criação de 1.052 empregos, seguido por produtos e equipamentos para uso médico, hospitalar e odontológico, com 124 vagas abertas. Já o segmento de produtos químicos, metalúrgicos e insumos agrícolas fechou 141 postos.