Taxas longas de juros encerram de lado, apesar de correção para baixo dos Treasuries

18/08/2026 às 18:11 atualizado por Arícia Martins - Estadão | Siga-nos no Google News
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Com agenda econômica local esvaziada e sem gatilhos relevantes, o juros futuros oscilaram em margem estreita no pregão desta terça-feira, fechando praticamente estáveis ante os ajustes, à exceção da ponta curta, que terminou em leve queda. Segundo agentes, a movimentação refletiu o fechamento da curva dos Treasuries, após a disparada da segunda-feira, mas os contratos mais longos seguem mais rígidos devido a preocupações com o quadro fiscal e eleitoral.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 13,769% no ajuste anterior a mínima intradia de 13,745%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 14,%, de 14,351% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 oscilou de 14,623% a 14,64%.

As taxas longas abriram o dia pressionadas pelo ambiente global, após os retornos dos títulos públicos de 30 anos terem alcançado os níveis mais altos em mais de 15 anos nos Estados Unidos e nas principais economias europeias na segunda, em meio à piora da perspectiva fiscal.

Embora os rendimentos ultralongos tenham recuado um pouco nesta terça, a recente disparada sugere que os investidores estão "perdendo a paciência" com a expansão dos gastos públicos, apontou a Capital Economics em relatório.

Por aqui, o leilão de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), que colocou no mercado 1,2 milhão de títulos atrelados à inflação, teve volume financeiro de R$ 5,2 bilhões - o maior desde maio, segundo cálculos da Warren Investimentos. Estrategista-chefe da Warren, Luis Felipe Vital destaca que já se esperava um certame maior após o vencimento dos papéis para 2026 nesta segunda-feira, mas mesmo assim o tamanho surpreendeu.

Para Eduardo Cohn, gestor de portfólio da Heritage Capital, o leilão de fechamento, que forma as taxas de ajuste do dia seguinte, explica a volatilidade dos vértices longos. Cohn observa, porém, que a curva operou com alguma inclinação em boa parte do dia. "O cenário eleitoral está ganhando mais tração, o que pressiona o real e acaba por pressionar a curva de juros", disse.

Apuração do Metrópole aponta que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), destravou a tramitação da PEC que prevê o fim da escala 6X1, tema visto com preocupação pelo mercado devido a seus potenciais efeitos inflacionários na economia e, também, porque a matéria deve passar "a toque de caixa" - ou seja, sem espaço para alterações substanciais no texto. De acordo com coluna da jornalista Milena Teixeira, Alcolumbre já assinou o despacho que encaminha a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

Economista-chefe do banco BMG, Flávio Serrano observa que, nesta terça, as taxas longas operaram em sentido contrário ao fechamento da curva de títulos americanos em boa parte da sessão, o que, em sua visão, não teve um gatilho aparente. Mesmo assim, ele diz que a curva local está com formato inclinado, em parte, devido ao quadro eleitoral, que entrou de vez no radar dos investidores.

Cabe ressaltar, ainda, que a dinâmica global também é negativa para as taxas mais distantes, devido à forte disparada dos títulos ultralongos, destaca Felipe Sichel, economista-chefe da Porto Asset. O movimento ocorreu devido a preocupações fiscais e, também, com o risco de um conflito prolongado entre EUA e Irã. "A curva dos EUA hoje trouxe um alívio, mas e toda forma há pouca novidade em termos de indicadores do cenário externo", comentou.

A despeito do ambiente internacional conturbado, a ampla maioria do mercado espera mais uma redução de 0,25 ponto porcentual da Selic na reunião de abril do Copom do Banco Central, que, segundo economistas, segue dependente de dados. No fim desta tarde, a precificação da curva indicava cerca de 70% de probabilidade de corte da taxa, ante 30% de manutenção.


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