As taxas dos contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) ganharam fôlego ao longo da tarde desta segunda-feira e terminaram a sessão devolvendo parte das perdas do dia, ainda que permanecendo abaixo do ajuste anterior. O repique dos juros - impulsionado pela alta do petróleo para acima de US$ 90 o barril - contrastou com o movimento da primeira etapa do pregão, quando houve recuo após a divulgação de um Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho mais fraco do que o esperado.
Apesar dessas oscilações, a precificação para a próxima decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), em setembro, mudou pouco: a maior parte das apostas segue apontando para um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2027 caiu para 13,760%, ante 13,777% no ajuste anterior. O DI para janeiro de 2029 recuou para 14,310%, de 14,389%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 cedeu para 14,570%, frente a 14,655%.
Os preços do petróleo operavam em alta desde a manhã, diante da ausência de uma solução negociada para o tráfego de navios no Estreito de Ormuz. À tarde, porém, os ganhos se intensificaram após ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar o conflito no Oriente Médio.
Com a disparada do petróleo - o Brent fechou em alta de 2,65%, a US$ 90,87 o barril -, as taxas dos Treasuries ampliaram os ganhos, refletindo preocupações com pressões inflacionárias à frente, e o movimento se espalhou para a curva de juros brasileira. No mercado doméstico, porém, os contratos apenas reduziram a queda vista mais cedo, quando as taxas chegaram a ceder 10 pontos-base em vários vértices, em reação ao recuo de 0,64% do IBC-Br em junho. A mediana das estimativas apontava queda menor, de 0,50%.
"O IBC-Br de hoje surpreendeu um pouco para baixo. Mas não é só o IBC-Br. Há uma percepção generalizada - por eventos de crédito e também pelos dados de crédito - de um cenário de desaceleração da atividade à frente", disse Ricardo Espindola, superintendente de crédito e renda fixa da Porto Asset.
As opções do Copom indicam que o mercado atribui cerca de 77% de chance a um corte de 0,25 ponto porcentual na Selic em setembro. A probabilidade de manutenção em 14% ao ano é menor, de 22%.
Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, observa que o balanço de riscos para a inflação do Banco Central inclui fatores domésticos, o que ajuda a explicar a sensibilidade do mercado aos dados de atividade. Ele ressalta, porém, que também há riscos de choque de oferta no radar do Copom. "Um deles é a questão dos preços do petróleo, que acaba tendo uma importância muito grande aqui."