Saúde Animal

Contaminação em amostras de pescados de área atingida pelo vazamento de óleo foram consideradas como de risco à saúde

Pescado foi coletado entre 6 e 8 de novembro e não altera avalização de risco de consumo

02/12/2019 - 10:34 | Por Thalya Godoy* - SBA

Novos exames em amostras de pescado da área atingida pelo vazamento de óleo identificaram em dois peixes valores acima dos níveis de preocupação à saúde definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Outras 66 amostras de peixe, camarão e lagosta analisadas até agora apresentaram resultados abaixo desses níveis.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e a Abastecimento (Mapa), essas são as primeiras análises encontradas acima dos níveis de preocupação. Os resultados não alteram a avaliação do risco do consumo de pescado das regiões atingidas pelo óleo, que só estaria presente se houvesse a ingestão contínua por anos do mesmo produto com estes níveis.

“Como foram poucos resultados – apenas dois, eles não representam risco para a saúde pública, e não há limitação de consumo neste momento. Vamos aumentar o número de amostras dessas espécies analisadas para verificar se esses resultados se repetem ou se foram pontuais”, afirmou o secretário de Defesa Agropecuária do Mapa, José Guilherme Leal.

As amostras acima do nível são do peixe Albacora Azul (Thunnus thynnus) e Budião (Sparisoma viride). A amostragem foi encaminhada para a unidade avançada do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Santa Catarina (SLAV-SC/LFDA-RS).

Leia a Nota Oficial da Secretaria de Defesa Agropecuária:

Em atenção à contaminação das praias do litoral nordestino por manchas de óleo, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa que foram disponibilizados resultados de análise de Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos (HPA) – principais indicadores de contaminação por derivados de petróleo - para mais 48 amostras de pescado. A segunda amostragem, coletada no período de 06 a 08 de novembro, foi encaminhada para a unidade avançada do Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Santa Catarina (SLAV-SC/LFDA-RS).

Até o momento, somando-se com a primeira rodada de análises realizadas pelo Laboratório de Estudos Marinhos e Ambientais (LabMAM) da PUC-RJ, foram obtidos 68 resultados de pescado, referentes à amostragem de peixes (Albacora Azul, Albacora Laje, Ariacó, Badejo Sirigado, Budião, Cioba, Dourado, Garoupa, Guaiúba, Pargo Ferreiro, Piraúna, Saramonete e Vermelho), camarões de captura (Rosa e Sete Barbas), camarões de cultivo (Cinza) e lagostas (Verde e Vermelha) coletadas em estabelecimentos sob Inspeção Federal e capturados nos estados da Bahia, Ceará, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte.

Das 68 amostras analisadas, 66 apresentaram resultados abaixo dos níveis de preocupação à saúde definidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Duas amostras de peixes apresentaram valores acima desses níveis. Uma é referente ao peixe Albacora Azul (Thunnus thynnus), predador migratório de alto mar, e a outra ao Budião (Sparisoma viride), que se alimenta em recifes de corais. Os valores de HPAs encontrados foram 9,51 e 7,95 microgramas de Benzo(a)pireno - Equivalente (BaPE)/kg, respectivamente. O valor de referência definido pela Anvisa, como nível de preocupação, é acima de 6 microgramas de Benzo(a)pireno - Equivalente (BaPE)/kg para peixes.

Considera-se, até o momento, que esses resultados não alteram a avaliação do risco do consumo de pescado das regiões oleadas. Essas são as primeiras análises encontradas acima dos níveis de preocupação e não há uma série histórica para se estabelecer um comparativo de contaminação de pescados antes e depois do derramamento de óleo. Entretanto, o Mapa direcionará nova estratégia de monitoramento do pescado por espécie ou habitat e região afetada.

 

Com informações do Mapa
*Texto supervisionado por Douglas Ferreira

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