A tentativa do Brasil de sentar à mesa das negociações com os Estados Unidos para reverter o tarifaço do presidente Donald Trump, consolidada nesta quinta-feira, 13, com o acionamento da Lei de Reciprocidade e a notificação ao governo americano, pode gerar efeitos relevantes para a economia local, como aumento de custo de vida e de produção, afirma a economista e professora do Insper Juliana Inhasz.
Apesar de reconhecer ganhos táticos de barganha, Inhasz alerta que o processo envolve custos relevantes caso avance para medidas concretas. Na visão da economista, a reciprocidade pode recair sobre o próprio Brasil, encarecendo importações importantes para consumo e produção, com efeito potencial sobre inflação e atividade. "A gente realmente vai socializar esse custo", disse.
Outro risco central, segundo Inhasz, é o de escalada: a sequência de tarifas e contramedidas pode se retroalimentar e reduzir o dinamismo do comércio, atingindo setores estratégicos e ampliando ineficiências. A economista resume o perigo com a lógica de reação em cadeia: um lado tarifa, o outro responde. Inhasz afirmou ainda que esse tipo de movimento "não tem fim" até produzir perdas expressivas para a economia.
Nesse cenário, a economista defende cautela na calibragem para evitar uma resposta desproporcional que amplifique custos e incertezas. Do lado real da economia, aponta que segmentos dependentes de importação e de cadeias industriais - como máquinas e equipamentos, componentes químicos, tecnologia e insumos industriais - podem ser particularmente afetados se houver encarecimento relevante de produtos americanos. Isso poderia, no limite, criar um efeito paradoxal: uma política pensada para proteger pode, ao mesmo tempo, pressionar a indústria que depende desses insumos.