Pecuária

Preço do leite recua 0,78% na Média Brasil, segundo boletim mensal do Cepea

Se comparado com outubro de 2018, queda é de 7,6%

21/11/2019 - 18:12 | Por Rafaela Flôr* - SBA

O Centro de Estudos Avançados e Economia Aplicada (Cepea) divulgou, na última quarta-feira (20) o boletim do leite, que mostrou dados de que o preço  pago  ao  produtor  em  outubro,  referente  ao  volume  entregue  em  setembro,  fechou  em  R$  1,3635/litro,  ligeiro  recuo  de  0,78%  na  “Média  Brasil”  líquida frente  a  setembro deste ano  e queda  de  7,6%  em  relação  a  outubro do ano passado,  em  termos  reais  (valores  foram  deflacionados  pelo  IPCA  de  outubro de 2019).  A  competição entre  indústrias  por  matéria-prima  neste  período  fez  com  que  as  cotações  não  despencassem  como  em  anos  anteriores.  

Com  a  chegada  da  primavera,  ocorre  o  aumento  na  produção  de  leite  e,  consequentemente,  os  preços  tendem  a  recuar  com  intensidade.  Contudo,  o  atraso  das chuvas  no  Sudeste  e  Centro-Oeste   resultou   na   lenta   recuperação   da   produção   neste  ano.  O  Índice  de  Captação  de  Leite  (ICAP-L)  subiu  2,9%  na  “Média  Brasil”  de  agosto  para  setembro,  alta  abaixo  da  esperada  para  o  período.

Por  conta  da  dificuldade  de  elevar  a  captação  em  outubro,  a  expectativa  é  de  que  o  preço  do  leite  ao  produtor  em  novembro  registre  ligeira  queda  novamente.  Vale  lembrar  que  as  cotações  no  campo  são influenciadas pelos mercados de derivados e spot, com  atraso  de  um  mês  nesse  repasse  de  tendência. De acordo com a pesquisa realizada pelo Cepea, as negociações de derivados seguiram fragilizadas em outubro. Houve redução de 3,6% de setembro para outubro no preço do leite UHT no estado de São Paulo, com média de R$ 2,38/litro.

Leite Spot

Quanto ao preço do leite spot, negociação entre as indústrias, caiu 5% na mesma comparação,  chegando  a  R$  1,42/litros  em  Minas  Gerais. Assim,  a  oferta  de  leite  limitada  deve  segurar  a  queda  em  novembro.  Porém,  com  a  demanda   enfraquecida   e   a   dificuldade   de   repassar  preços  para  o  consumidor,  os  valores  podem  cair   com   maior   intensidade   nos   próximos   meses.

Em  novembro,  as  negociações  do  leite  spot continuam estagnadas. Na média mensal, houve valorização  de  1,3%  e  de  0,4%  em  GO  e  MG,  respectivamente,  frente  ao  mês  anterior.  Em  SP,  houve  estabilidade  na  mesma  comparação.  De  acordo  com  colaboradores  do  Cepea,  as  indústrias  estão  com  estoques  altos,  ao  mesmo  tempo em  que  o  volume  de  leite  no  campo  se  encontra  estável  apesar  da  época  de safra, freando as negociações dos derivados lácteos.

Leite UHT

Em outubro, o preço do leite UHT negociado no mercado atacadista de São Paulo fechou a R$ 2,38/litro, queda de 3,5% frente a setembro deste ano – esse é o segundo  mês  consecutivo  de  baixa.  Em  relação  ao  mesmo  período  de  2019,  o  derivado  se  desvalorizou  6,3%.  Vale  ressaltar  que  as  cotações  do  leite  longa  vida  permaneceram  em  queda  em  praticamente  todo  o  mês,  apresentando  uma  leve  reação  somente  na  última  semana.    

De    acordo    com    os    colaboradores    consultados    pelo    Cepea,    houve    dificuldade    em    negociar   em   outubro,   visto   que   os   estoques   dos   atacadistas   seguem   abastecidos   e   o   consumo,   baixo. O mercado de queijo muçarela, por outro lado, registrou alta nas cotações, de 1,2%, frente a setembro de 2019, fechando outubro com média de R$ 17,16/kg. Porém, em relação ao mesmo período de 2018, os preços caíram 9,1%.

Segundo colaboradores do Cepea, indústrias optaram por reduzir o volume de produção para manter seus estoques controlados, devido às baixas negociações no período. Além disso, a falta de matéria-prima em alguns laticínios contribui para a leve reação dos valores. A pesquisa diária de preços é realizada pelo Cepea e tem apoio financeiro da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras).

Com informações de Cepea.
*Texto supervisionado por Douglas Ferreira.

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