Fases de cria e recria exigem maior atenção durante o período de seca

Produtores precisam se preparar com antecedência para manter o bem-estar dos animais e garantir uma oferta de alimentos adequada

30/07/2026 às 09:07 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
:

O inverno na região Centro-Oeste possui um clima seco, marcado principalmente pela baixa umidade do ar, escassez de chuvas e tardes quentes. De acordo com o Painel El Niño, o calor excessivo pode intensificar a deficiência hídrica e, dessa forma, atrasar o crescimento das pastagens e afetar a disponibilidade de água para a pecuária. 

Diante desse cenário, os produtores precisam se preparar com antecedência para manter o bem-estar dos animais e garantir uma oferta de alimentos adequada. O pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Rodrigo Gomes, explica que na fase de recria, por exemplo, é importante manter a vacina contra a clostridiose em dia, principalmente em animais de 12 a 24 meses de idade. “Além disso, é importante seguir o protocolo de vermifugação da Embrapa, com aplicações em maio, julho e novembro”, destaca Gomes.

A estratégia nutricional também deve ser reavaliada para que os animais continuem se alimentando e ganhando peso. “Nas regiões em que temos uma boa massa de forragem, pode-se utilizar suplementação proteica ou proteico-energética de baixo consumo para manter o custo mais baixo”, ressalta o pesquisador. 

Em localidades com oferta de concentrados/co-produtos a preços mais baixos, o produtor pode utilizar a suplementação de até 1% do peso vivo para acelerar a recria. O pesquisador esclarece ainda que as fêmeas desmamadas no outono precisam de um cuidado especial para que, até o fim do ano, estejam em condição reprodutiva aos 14 meses. 

Embora as estratégias mudem na fase de cria, o foco permanece o mesmo: manter o rebanho saudável durante o período seco. “Para as fêmeas prenhes, no terço final da gestação, é importante fazer algumas vacinas, especialmente as contra diarreia neonatal, doenças reprodutivas e clostridioses”, recomenda Gomes. 

Do ponto de vista nutricional, o pesquisador sugere duas opções para os produtores. A primeira é o manejo por escore de condição corporal. Gomes destaca que “vacas em bom escore, de 3 a 4 numa escala de 1 a 6, o ideal é trabalhar suplementação com sal ureado ou proteico de baixo consumo para conservação do peso sem elevar os custos”, pois trata-se de uma fêmea que irá parir com bom escore. 

Por outro lado, a atenção deve ser redobrada em relação às fêmeas com escore mais baixo, ou seja, que estão magras e, além disso, estão prenhas e com previsão de parir no período seco. Nesse caso, o pesquisador recomenda separar essas matrizes para pastejo em áreas de melhor qualidade e fornecer suplementação proteico-energética reforçada (1 kg a 1,2 kg). “Dependendo do caso, pode-se elevar a suplementação a até 1% do peso do animal, mas precisa ser algo rápido, antes da parição, para aumentar as chances dela emprenhar na próxima estação de monta”, reforça Gomes. 


Desmama antecipada

Rodrigo Gomes destaca que a desmama antecipada é recomendada em dois casos. Em vacas primíparas, pois a fêmea que pare pela primeira vez sofre um pouco mais e perde mais peso. Nesse caso, a desmama pode ser realizada por volta dos 6 meses de vida do bezerro. “Se levarmos a desmama até os 8 meses, talvez ela sofra um pouco mais do que as multíparas e demore para recuperar seu escore corporal antes da segunda parição”, completa o pesquisador. 

Para os bezerros, especialmente de vacas primíparas, Gomes recomenda o uso de Creep-Feeding – um sistema de nutrição exclusivo para bezerros em fase de aleitamento, enquanto eles ainda estão ao pé da mãe – como suplementação exclusiva para o bezerro no cocho. Assim, esse animal tem condições de desmamar mais pesado, compensando a menor produção de leite de sua mãe.

Em relação ao gado que será descartado, Gomes aconselha antecipar o desmame para possibilitar a engorda e, assim, vender a vaca como gorda em vez de magra. “É uma estratégia interessante, inclusive, para o melhoramento genético do rebanho, já que um bom descarte é premissa de uma seleção genética efetiva”, finaliza o pesquisador. 


Informações: Embrapa Gado de Corte - Talita Barbosa (5673 DRT/BA)

 


Últimas Notícias

Whatsapp