O Ibovespa fechou a sessão em baixa, na mínima do dia, aquém dos 174 mil pontos, com volatilidade em terreno negativo após a divulgação do comunicado do Federal Reserve (Fed) e da entrevista coletiva do presidente da instituição, Kevin Warsh.
A reunião do Fed era o destaque da agenda da quarta-feira, 29, mas, antes disso, o índice já era pressionado pelo setor financeiro, por sua vez arrastado pelo tombo das ações do Santander Brasil, sem dar chance de que os ganhos firmes da Petrobras neutralizassem o impacto. Pesou ainda a piora do cenário geopolítico, com a retomada dos ataques mútuos entre EUA e Irã.
Depois das altas nas duas últimas sessões, o Ibovespa tinha algum espaço para correção, na medida em que a agenda e o noticiário do dia inspiravam cautela. Pelo lado negativo, o quadro no Oriente Médio voltou a colocar em xeque o fluxo de navegação em Ormuz e, por aqui, o balanço do Santander Brasil decepcionou, com o tombo de mais de 7% da ação penalizando todo o setor financeiro. Em contrapartida, as ações da Petrobras avançaram com a disparada do petróleo e leitura positiva do relatório de produção divulgado na terça.
À tarde, os eventos relacionados ao Fed dominaram as atenções. A decisão de manter os juros na faixa entre 3,50% e 3,75% era amplamente esperada, mas houve dissenso, com três dos 12 diretores - Beth Hammack (Cleveland), Neel Kashkari (Minneapolis) e Lorie Logan (Dallas) - votando por aumento de 25 pontos-base.
O comunicado trouxe pontos vistos como "hawkish" e outros "dovish", na opinião de Vinicius Flores, gestor de investimentos da Stratton Capital, com leitura, para ele, neutra. De um lado, os diretores reconheceram que a inflação elevada reflete, em parte, choques de oferta em setores específicos. Por outro lado, o placar de 9 a 3 pesa na direção oposta. "O resultado líquido é um comunicado equilibrado", disse.
Já Warsh foi enfático ao afirmar que o Fed continua determinado a garantir estabilidade de preços e alertou que houve impressão equivocada de que o banco central seria mais tolerante com inflação alta. "Há apenas uma meta, que é inflação em 2%, e não hesitaremos em agir", disse, acrescentando que a taxa de juros pode ser "parte da solução".
Para Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, tanto o comunicado quanto a coletiva de Warsh não trouxeram qualquer sinalização sobre os próximos passos, mesmo com o mercado atribuindo elevada probabilidade a uma alta de juros em setembro. "Apesar da ausência de sinalização prospectiva, a composição dos votos reforça a percepção de que o Comitê mantém um viés de aperto monetário. A curva de juros continua precificando aproximadamente duas elevações de 25 bps até o final do primeiro trimestre de 2027", afirma, em comentário a clientes.
Na reta final, as bolsas americanas acentuaram as perdas e levaram junto a Bolsa brasileira. Dow Jones fechou em baixa de 0,68%, Nasdaq caiu 2,13% e S&P 500, -1,29%.
Internamente, o setor financeiro foi o destaque negativo, com as Units do Santander despencando 7,37%, após o balanço divulgado antes da abertura ter desagradado. O papel contaminou todo o setor financeiro, mas o analista da Manchester Investimentos Felipe Cima pontua que os resultados não devem ser tomados como referência para o das demais instituições.
"Tem um ponto que mercado não está considerando. O banco fez provisão grande, mas também tinha exposição grande à Braskem. Não necessariamente Bradesco e outros virão ruins", alertou, acrescentando que, de maneira geral, todos eles estão "dando a entender estarem mais conservadores no crédito".
Nas outras blue chips, Petrobras ON avançou 2,35% e a PN subiu 1,92%, favorecidas pelo salto de 7,32% do Brent, que voltou a se aproximar de US$ 90.
O Ibovespa encerrou em baixa de 1,52%, aos 173.885,34 pontos, na mínima. A máxima, estável, foi de 176.564 pontos. Na semana, passou a exibir queda de 0,09%. Em julho, sobe 1,08% e, em 2026, +7,92%. O giro da Bolsa nesta quarta foi de R$ 22,9 bilhões.