Ibovespa dribla queda do petróleo e sobe com alívio das tensões geopolíticas

27/07/2026 às 17:42 atualizado por Denise Abarca - Estadão | Siga-nos no Google News
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O Ibovespa fechou a segunda-feira, 27, em alta, amparado pelo maior apetite por risco no exterior, superando as perdas das ações ligadas à cadeia do petróleo. O pano de fundo para o bom desempenho foi o alívio das tensões geopolíticas, diante do aumento, ao longo do fim de semana, da expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã, que também traz algum otimismo para a reunião do Federal Reserve na quarta-feira.

O Ibovespa conseguiu retomar os 175 mil pontos ainda pela manhã, mas começou a tarde abaixo desse nível, resgatado apenas na hora final da sessão, com a recuperação das ações da Vale e impulso do setor financeiro, a despeito da queda de quase 3% dos papéis da Petrobras.

Com isso, na última hora de negócios, o Ibovespa renovou máximas também pela melhora, que depois se mostrou pontual, das bolsas americanas. Os índices ensaiaram uma recuperação mais firme perto do fechamento, mas sem consistência. Dow Jones subiu 0,51%, Nasdaq cedeu 0,18% e S&P 500 ficou de lado (+0,02%).

Os mercados foram pautados nesta segunda pela pausa nos ataques mútuos entre Estados Unidos e Irã, após duas semanas de ofensivas, que abriu espaço para a retomada de diálogo para o fechamento de um acordo que encerre o conflito. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o Irã solicitou uma reunião por meio de intermediários e que Washington está tendo "boas conversas" com o país persa.

O petróleo tombou e, para a economista-chefe da Mirae Asset, Marianna Costa, o impacto sobre os papéis das petroleiras acabou sendo neutralizado no Ibovespa pelo ambiente mais construtivo em relação ao Oriente Médio. "Como as preocupações estão sendo amainadas, o petróleo cai e as curvas fecham, o que acaba ajudando a Bolsa", explica.

Tanto que, na lista das maiores altas, estavam ações ligadas ao ciclo econômico, como MRV ON (+4,71%), Totvs ON (+6,95%) e Hypera ON (+4,10%), que se favorecem da queda dos juros futuros, de mais de 10 pontos-base nesta segunda-feira.

"Esse reflexo do petróleo na curva de juros tira um pouco de pressão de alta de juro nessa próxima reunião do Fed, por mais que a probabilidade seja muito pequena", afirma Costa, acrescentando que a expectativa majoritária é de que o Fed venha a subir juros em setembro, ou mais à frente.

O fechamento da curva também favoreceu o setor financeiro, com destaque para as units do Santander, que saltaram 3,87%. O banco abre a temporada de balanços das instituições financeiras no segundo trimestre, com divulgação dos números na quarta-feira (29), antes da abertura da Bolsa. Itaú Unibanco PN avançou 3,87%.

Já as quedas mais significativas do índice ficaram com as petroleiras. Petrobras ON caiu 3,15% e PN, -2,84%. PetroReconcavo ON cedeu 3,31% e Prio ON caiu 5,29%. O petróleo Brent, referência para a Petrobras, fechou em baixa de 6,33%, a US$ 85,87 o barril.

Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da Stonex, pondera que o governo iraniano afirmou que, neste momento, não existem novas tratativas de paz entre os dois países e que mantém apenas a suspensão de ataques. "Apesar da redução dos prêmios geopolíticos, o número de embarcações que atravessam o Estreito de Ormuz continua bastante limitado", avalia.

Vale teve um pregão mais volátil, mas conseguiu driblar o impacto da queda do minério de ferro e da notícia da renúncia do vice-presidente do conselho, Marcelo Gasparino, firmando-se em alta na segunda metade do pregão. Vale ON subiu 0,60%. Há grande expectativa pelo balanço da companhia, que sai na quinta-feira (30), após o fechamento.

O Ibovespa fechou em alta de 0,74%, aos 175.334,46 pontos. Na máxima, subiu 0,87%, com 175.555 pontos, e na mínima ficou estável (174.048). O giro foi de R$ 19,2 bilhões. O índice apura valorização de 1,92% em julho e de 8,82% em 2026.


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