Os juros futuros percorreram o pregão desta sexta-feira, 24, em forte ritmo de baixa, com queda na ordem de 20 pontos-base nas taxas médias e longas. O movimento, ancorado principalmente no recuo das cotações do petróleo, reflete a volta do otimismo sobre um desfecho na guerra entre Estados Unidos e Irã.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 cedeu de 14,023%, no ajuste anterior, para 13,96%. O DI para janeiro de 2029 recuou a 14,455%, vindo de 14,679%. O DI para janeiro de 2031 caiu de 14,821% a 14,625%.
Na semana esvaziada de dados, com baixa liquidez na maioria das sessões e na qual as preocupações com a guerra escalaram - até a descompressão observada nesta sexta -, a curva de juros futuros perdeu um pouco de inclinação. A ponta curta ficou praticamente imóvel e houve recuo na ordem de 10 pontos-base nos vértices de janeiro de 2029 e de igual mês de 2031. O cálculo considera o fechamento da última sexta-feira.
Já nesta sexta, o petróleo encerrou a sessão com queda de cerca de 3%, mas chegou a ceder 4% ao longo do dia. O contrato de outubro do Brent, referência para a Petrobras, deixou o nível de US$ 100 e fechou em US$ 96,78 o barril, seguindo relatos de que o Paquistão está explorando um caminho para a retomada das negociações entre EUA e Irã, agora paradas, numa iniciativa liderada pela China.
Uma resolução que elevasse a oferta mundial da commodity ajudaria a descomprimir a inflação e daria algum conforto para o Banco Central cortar a Selic, ao menos no curto prazo. Agentes ouvidos pela Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), no entanto, avaliaram que a redução nos preços do óleo pode ter vida curta.
"Isso me parece um alívio provisório", afirmou o estrategista Gustavo Cruz, considerando que estamos chegando no mês de agosto e, desde o início do confronto, em fevereiro deste ano, nenhum acordo de teor definitivo foi firmado. Agora, aponta Cruz, a sensação é a de que o mercado avaliou que o conflito não vai escalar para um cenário de guerra total. "Parece mais um blefe dos dois lados. Vamos ver se há um encaminhamento para um tipo de acordo, mas já me parece algo distante", ponderou.
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, observa, ainda, que uma negociação diplomática ainda não equivale à normalização do mercado de energia. "Enquanto o fluxo em Ormuz permanecer vulnerável, a curva de juros pode recuar, mas continuará incorporando um seguro contra a retomada dos ataques", disse Araújo.
Sobre a trajetória esperada para o juro básico, o CEO da Azumi avalia que o Copom deve cortar a Selic em agosto, mas sem deixar orientação definida. Assim, diz ele, o BC evitaria transformar um alívio geopolítico provisório, em sua visão, "em compromisso monetário".
Ao participar de painel na Expert XP nesta manhã, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, evitou sinalizar os próximos passos da política monetária, sem fazer preço na curva de juros. Galípolo afirmou que o ambiente atual exige manter a taxa Selic em nível restritivo por período prolongado, enfatizando que o Copom continuará a avaliar a tendência dos dados antes de tomar qualquer decisão.
"O discurso trouxe poucas novidades em relação à comunicação recente do Banco Central. No geral, a mensagem permaneceu consistente com a estratégia do BC de manter elevado grau de dependência de dados, sem indicação de mudança na condução da política monetária", comentou, em relatório, Andrea Bastos Damico, economista-chefe da BuysideBrazil.