A tentativa de união entre duas das maiores empresas do entretenimento mundial ganhou mais um obstáculo na Justiça norte-americana. Um juiz federal dos Estados Unidos prorrogou por mais 14 dias a ordem que impede a conclusão da fusão entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery, mantendo suspensa a operação avaliada em cerca de US$ 111 bilhões (R$ 564 bilhões na cotação atual).
Com a decisão, assinada pela juíza distrital Araceli Martínez-Olguín, o acordo não poderá ser finalizado antes de 17 de agosto. A magistrada também marcou para 3 de agosto uma audiência que definirá se o bloqueio temporário será convertido em uma liminar de duração indeterminada. A informação foi divulgada pelo Deadline.
A suspensão atende a uma ação movida por uma coalizão formada pelos procuradores-gerais de 12 estados norte-americanos, entre eles Califórnia, Nova York, Massachusetts, Washington e Colorado.
Os estados argumentam que a união entre Paramount e Warner Bros. Discovery reduziria significativamente a concorrência no setor de entretenimento, especialmente nos mercados de distribuição de filmes e conteúdo para televisão por assinatura.
Ao justificar a decisão inicial, proferida no início da semana, Martínez-Olguín afirmou que os estados apresentaram "provas convincentes" e "questões sérias relacionadas ao mérito" da ação, indicando que a operação pode infringir a legislação antitruste dos Estados Unidos.
Preocupação com concentração de mercado
De acordo com os documentos citados pelo Deadline, a empresa resultante da fusão passaria a controlar aproximadamente 27% do mercado de filmes de grande lançamento nos cinemas norte-americanos.
Além disso, a nova companhia concentraria mais de 30% das produções classificadas como blockbusters, ampliando seu poder sobre o mercado audiovisual.
Na avaliação da juíza, a elevada participação de mercado é suficiente para levantar preocupações sobre possíveis violações da Lei Clayton, legislação americana criada para impedir práticas que reduzam a concorrência.
"Com base apenas na participação de mercado combinada dessas empresas, o Tribunal está convencido de que pode presumir que a fusão proposta provavelmente violará as leis antitruste", escreveu Araceli Martínez-Olguín, conforme divulgado pelo Deadline.
Sindicato dos roteiristas também contesta operação
Além da ação apresentada pelos estados, a Writers Guild of America (WGA) também entrou na disputa judicial.
O sindicato dos roteiristas argumenta que a fusão pode pressionar salários, reduzir oportunidades de trabalho e aumentar a padronização dos conteúdos produzidos por Hollywood.
A juíza determinou que o pedido apresentado pela WGA seja analisado no mesmo cronograma da ação movida pelos estados, durante a audiência marcada para o início de agosto.
Empresas defendem a conclusão do negócio
Enquanto os autores da ação pedem uma decisão rápida, a Paramount defende um prazo maior para apresentar sua argumentação.
De acordo com o Deadline, a companhia solicitou uma audiência de três dias no fim de agosto, alegando que precisa ouvir testemunhas e produzir mais provas antes que a Justiça decida sobre uma possível suspensão definitiva da operação.
Já os procuradores-gerais afirmam que esse pedido apenas atrasaria o andamento do processo e defendem que a liminar seja analisada sem uma audiência prolongada.
Até que haja uma nova decisão judicial, a ordem impede que Paramount e Warner Bros. Discovery concluam a transação ou iniciem qualquer etapa de integração entre as empresas, mantendo em suspenso um dos maiores negócios da história recente da indústria do entretenimento.