São Paulo, 23/07/2026 - A multinacional suíça de alimentos e bebidas Nestlé informou nesta quinta-feira que obteve lucro líquido de CHF 3,472 bilhões (US$ 3,89 bilhões) no primeiro semestre deste ano. O resultado ficou 31,4% abaixo do obtido nos seis primeiros meses do ano passado e abaixo das expectativas de analistas, que previam lucro de CHF 5,07 bilhões (US$ 5,68 bilhões). O recuo foi influenciado por maiores custos de reestruturação e pela depreciação contábil de CHF 1,3 bilhão (US$ 1,46 bilhão) relativa a ativos mantidos para venda, disse a empresa. O lucro básico por ação caiu de CHF 1,97 (US$ 2,21) para CHF 1,35 (US$ 1,51) no período, enquanto o lucro por ação ajustado passou de CHF 2,27 (US$ 2,54) para CHF 2,22 (US$ 2,49).
As vendas somaram CHF 43,109 bilhões (US$ 48,28 bilhões) nos seis primeiros meses do ano, recuo de 2,5% ante igual período de 2025, mas ligeiramente acima dos CHF 43,03 bilhões (US$ 48,19 bilhões) esperados por analistas. Segundo a Nestlé, o faturamento sofreu um efeito cambial negativo de 6,2%.
Com isso, o crescimento orgânico foi de 3,6%, com contribuição dos preços em 2,1% e avanço de 1,5% no Crescimento Interno Real (Rig, na sigla em inglês) - principal medida de volume de vendas da empresa. No segundo trimestre, o crescimento orgânico atingiu 3,7%, com alta de 1,8% no Rig e 1,9% nos preços, em linha com as projeções de mercado.
Em relatório, o CEO da Nestlé, Philipp Navratil, afirmou que a estratégia focada no volume (Rig) está apresentando resultados. "Nossa estratégia de crescimento, liderada pelo Rig, está funcionando e avançando de forma constante em direção às nossas metas de médio prazo", destacou o executivo. Para o analista da Vontobel Jean-Philippe Bertschy, o volume de vendas da companhia está acelerando. "A Nestlé está mostrando que pode investir em crescimento ao mesmo tempo em que protege o fluxo de caixa livre e a rentabilidade", avaliou em nota enviada a clientes.
Por categoria de produto, o setor de café liderou o crescimento orgânico no semestre com alta de 7,5%, seguido por alimentos e snacks (+3,7%), águas e bebidas premium (+5,1%) e Petcare (+2,7%). Em contrapartida, a divisão de nutrição teve queda orgânica de 1,2%, pressionada pelo recolhimento preventivo de fórmulas infantis no início do ano, embora tenha apresentado recuperação no segundo trimestre (+1,7%).
Por região, a Nestlé registrou crescimento orgânico de 3,3% nas Américas, com Rig de 1% e preço 2,2% maior, gerando receita de CHF 18,646 bilhões (US$ 20,88 bilhões). Na Europa, o avanço orgânico foi de 2,7%, com Rig de 0,5% e preços 2,2% mais altos, totalizando CHF 9,044 bilhões (US$ 10,13 bilhões) em vendas. Na zona AOA (Ásia, Oceania e África), o crescimento orgânico alcançou 4,3%, com Rig de 2,8% e preços 1,5% maiores, alcançando CHF 10,366 bilhões (US$ 11,61 bilhões), com a operação na China demonstrando estabilidade após ajustes em estoques.
Para o acumulado de 2026, a Nestlé confirmou suas projeções de crescimento orgânico das vendas entre 3% e 4%, com aceleração do Rig em relação a 2025. A companhia também prevê um fluxo de caixa livre acima de CHF 9 bilhões (US$ 10,08 bilhões) e melhora na margem operacional comercial subjacente (Utop) ante o ano anterior.
Além disso, a empresa anunciou um acordo com a Platinum Equity para a criação da Peranel, uma joint venture 50:50 voltada para os negócios de águas e bebidas premium (incluindo S. Pellegrino, Perrier e Acqua Panna), avaliada em € 4,9 bilhões (US$ 5,29 bilhões) CHF 4,5 bilhões (US$ 5,04 bilhões), com estimativa de gerar cerca de € 3 bilhões (US$ 3,24 bilhões) CHF 2,8 bilhões (US$ 3,14 bilhões) em caixa para a Nestlé no fechamento da transação no primeiro semestre de 2027. Paralelamente, a Nestlé reclassificou suas marcas de suplementos, vitaminas e minerais (Vms) e de sorvetes como ativos mantidos para venda, concluiu a aquisição do controle total da marca yfood e concluiu a venda da Blue Bottle Coffee para a Centurium Capital.