O mercado físico do boi gordo segue marcado por uma disputa entre frigoríficos e pecuaristas. Enquanto a indústria tenta reduzir os preços pagos pela arroba, os produtores resistem às ofertas abaixo das referências praticadas no mercado, diminuindo o volume de negociações e mantendo o ritmo dos negócios mais lento.
De acordo com análise da Scot Consultoria, frigoríficos que já estavam ativos nas compras mantiveram suas referências de preços, enquanto unidades que retornaram ao mercado passaram a oferecer valores menores, na tentativa de pressionar as cotações.
A estratégia, porém, encontra resistência dos pecuaristas. Muitos produtores optam por adiar as vendas diante das propostas consideradas pouco atrativas, especialmente em um momento em que a oferta de animais terminados permanece relativamente ajustada à demanda da indústria.
Segundo a consultoria, essa oferta equilibrada impede movimentos mais intensos de queda nas cotações, mesmo diante da postura mais agressiva dos frigoríficos durante as negociações.
Outro fator que influencia o mercado é o comportamento do consumo doméstico. Apesar da expectativa de melhora após o início do mês, período em que normalmente há maior circulação de renda, as vendas de carne bovina não apresentaram a reação esperada, limitando a necessidade de novas compras por parte das indústrias.
Ao mesmo tempo, diminuiu o interesse por bovinos jovens destinados ao mercado de exportação, segmento que vinha sustentando parte da demanda por animais com padrão específico para atender clientes internacionais.
Com esse conjunto de fatores, o mercado permanece em compasso de espera. Os frigoríficos buscam alongar suas escalas de abate pagando menos pela arroba, enquanto os pecuaristas seguem administrando a oferta de animais para evitar negociações em patamares inferiores aos considerados adequados.
A expectativa é de que o comportamento das exportações, do consumo interno e da disponibilidade de animais terminados continue sendo decisivo para definir a direção dos preços nas próximas semanas.
No comentário diário do mercado, o analista de agronegócio João Pedro Cuthi Dias detalha como esse cenário de equilíbrio entre oferta e demanda vem influenciando as negociações da arroba em todo o país.