Fim das cotas chinesas deve reduzir exportações de carne bovina no segundo semestre e reconfigurar mercado brasileiro

De janeiro a junho, o Brasil exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, volume 16% superior ao registrado no mesmo período de 2025

07/07/2026 às 10:35 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
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As exportações brasileiras de carne bovina registram desempenho recorde em 2026, mas o esgotamento antecipado da cota chinesa para importações deve provocar uma mudança importante no fluxo comercial do setor ao longo do segundo semestre. Segundo análise da StoneX, empresa global de serviços financeiros, a rápida ocupação da cota pelo Brasil tende a limitar os embarques destinados à China nos próximos meses, exigindo uma reorganização da estratégia exportadora brasileira e aumentando a disponibilidade de carne no mercado interno.

De janeiro a junho, o Brasil exportou cerca de 1,5 milhão de toneladas de carne bovina, volume 16% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Parte desse avanço foi impulsionada pelas cotas chinesas estabelecidas para 2026, que anteciparam embarques ainda no último trimestre de 2025 e aceleraram os embarques no primeiro semestre deste ano. Até junho, aproximadamente 98,5% da cota brasileira já havia sido utilizada.

Gráfico mostra exportações acumuladas de carne bovina para a China em 2026, com volume de 1,247 milhão de toneladas em julho, superando a cota de 1,106 milhão.

Impactos nas exportações para a China no segundo semestre

“Como o processo de internalização da carne na China leva entre 45 e 60 dias, os exportadores brasileiros anteciparam os embarques para garantir espaço dentro da cota. Esse movimento concentrou volumes no primeiro semestre e deve resultar em uma redução significativa das exportações para a China ao longo do terceiro trimestre”, explica Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Apesar da proximidade do esgotamento das cotas, a China permanece como principal destino da carne bovina brasileira, absorvendo mais da metade dos embarques do país. Ao mesmo tempo, outros mercados vêm ampliando sua participação, contribuindo para uma maior diversificação das exportações.

Oferta global limitada e efeitos no abastecimento chinês

Segundo a StoneX, o cenário também traz reflexos para o próprio abastecimento chinês. Brasil e Austrália, os dois principais fornecedores globais de carne bovina para o país asiático, já preencheram ou estão muito próximos de preencher suas respectivas cotas. Com isso, a oferta disponível para a China tende a ficar mais restrita no segundo semestre.

“A China possui o maior déficit global de carne bovina e depende fortemente das importações para suprir a demanda doméstica. Com os principais exportadores limitados pelas cotas e outros fornecedores enfrentando restrições de oferta, o mercado chinês pode enfrentar um período de maior aperto no abastecimento e pressão sobre os preços”, afirma Juliana Torres Santiago, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

Pressão de alta nos preços da carne na China

As analistas observam que esse movimento já começa a se refletir nos preços da carne na China. Desde abril, as cotações vêm apresentando trajetória de alta, tendência que pode se intensificar à medida que a disponibilidade de produto importado diminui. O efeito pode alcançar também outras proteínas, como a carne suína, principal proteína consumida pelos chineses.

No Brasil, o principal impacto deve ser sentido na oferta doméstica. Com a redução temporária dos embarques para a China, parte da produção que seria destinada ao mercado externo tende a ser redirecionada para outros países compradores ou permanecer no mercado interno, que atualmente absorve entre 60% e 65% da carne bovina produzida no país.

Ciclo pecuário e perspectiva de oferta no médio prazo

Além do efeito das cotas, o setor pecuário brasileiro atravessa uma fase de virada do ciclo pecuário. Embora os abates tenham sido impulsionados neste início de ano pela corrida para atender à demanda chinesa, os indicadores mostram redução na participação de fêmeas abatidas, movimento que sinaliza retenção de matrizes e uma tendência de menor oferta de animais no médio prazo.

“O fim da cota chinesa aumenta a oferta disponível no mercado brasileiro no curto prazo. A redução dos abates de fêmeas reforça que o Brasil está entrando em uma fase de menor disponibilidade de animais, o que continua sendo um fator importante para a formação dos preços no médio prazo”, destaca Larissa.

Perspectivas para o mercado futuro e retomada da demanda chinesa

A StoneX avalia que o mercado futuro já incorpora parte dessas expectativas. Os contratos de curto prazo refletem cautela diante da desaceleração das exportações para a China, enquanto os vencimentos mais longos indicam percepção mais positiva, sustentada pela expectativa de retomada dos embarques com a abertura da cota chinesa de 2027 no último trimestre de 2026.

“Os próximos meses devem ser marcados por um ajuste nas exportações brasileiras e pela redistribuição da oferta entre mercado interno e outros destinos. No entanto, a perspectiva de retomada das compras chinesas a partir da nova cota mantém o país como principal vetor de demanda para a carne bovina brasileira”, conclui Juliana.

 

Informações: Assessoria StoneX


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