Em audiência promovida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham Brasil) argumentou que a proposta de aplicar sobretaxas de até 25% sobre determinados produtos brasileiros deve elevar custos para a indústria e os consumidores norte-americanos.
A entidade, que representa cerca de 3,5 mil empresas, afirmou ainda, por meio de nota, que taxas adicionais podem "desviar o comércio em favor de concorrentes asiáticos, ampliar o déficit comercial dos Estados Unidos com esses países e enfraquecer a influência econômica e comercial norte-americana no Brasil".
De acordo com o comunicado, as importações norte-americanas do Brasil são concentradas em insumos industriais, bens intermediários, componentes de máquinas, químicos, produtos de energia, metais e minerais.
O texto da Amcham aponta que o Brasil representa mais de 20% do total importado pelos EUA em cerca de 40% das categorias de produtos não isentos de sobretaxas, incluindo itens como gorduras e óleos animais, produtos de madeira, tabaco, obras de pedra e gesso, celulose e papel, além de preparações alimentícias.
A organização listou áreas em que os dois governos podem alcançar progressos por meio de negociações, citando o acesso a mercados para insumos industriais, cooperação regulatória nos setores automotivo e de saúde, comércio digital e proteção à propriedade intelectual.
O documento cita ainda a oportunidade de parceria estratégica em minerais críticos no Hemisfério Ocidental, além de cooperação em segurança energética para combustíveis tradicionais e renováveis.