Brasília, 6 de julho de 2026 – As medidas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos exercem impacto sobre o comércio internacional e exigem atenção dos exportadores brasileiros. Para apoiar o empresariado nacional no diagnóstico de sua exposição comercial e na identificação de riscos, a ApexBrasil lançou o Painel de Medidas Tarifárias dos EUA. A plataforma, interativa e gratuita, organiza informações técnicas em uma interface simples, permitindo que as empresas descubram com rapidez se seus produtos são alvo de sobretaxas ou se contam com isenções no mercado norte-americano.
Diante dos aumentos tarifários aplicados por Washington, as frentes de promoção comercial e de defesa de interesses têm acelerado uma diversificação mercadológica no comércio exterior brasileiro.
Inteligência comercial
O principal objetivo da ferramenta é servir como um instrumento de inteligência comercial para apoiar as análises empresariais, o planejamento estratégico e a avaliação de riscos. A interface permite realizar consultas dinâmicas informando o código SH6 (numeração de seis dígitos criado pela Organização Mundial das Alfândegas para classificar mercadorias no comércio global) ou a descrição detalhada do produto.
A plataforma foi desenhada para responder de forma direta a perguntas essenciais do cotidiano exportador, como se o produto selecionado foi exportado pelo Brasil para os EUA no período recente, o nível de relevância atual do mercado norte-americano para esse setor, se o item consta nas listas analisadas das medidas tarifárias acompanhadas, e quais outros mercados globais importam esse mesmo produto, servindo de alternativa para o negócio.
Além do mapeamento tarifário, o painel detalha a evolução das exportações bilaterais, disponibiliza notas metodológicas e oferece uma seção de perguntas frequentes para guiar o usuário na correta interpretação dos dados.
Medidas tarifárias monitoradas
O painel centraliza o acompanhamento de quatro grandes frentes regulatórias implementadas ou avaliadas pelas autoridades norte-americanas:
| Medida Tarifária |
Status Atual |
Escopo e Impacto Principal |
| Seção 232 – Tarifas Setoriais |
Vigente |
Aplicada sob justificativa de segurança nacional; afeta diretamente os setores de ferro, aço, cobre, alumínio, automóveis e autopeças. |
| Seção 122 – Medida Temporária Global |
Vigente por prazo determinado |
Tarifa global adicional de 10% de aplicação ampla sobre as importações, com previsão de encerramento para 24 de julho de 2026. |
| Seção 301 – Investigação Comercial contra o Brasil |
Em investigação |
Avalia práticas comerciais brasileiras alegadas como injustificáveis ou discriminatórias; ainda não se converteu em tarifa final. |
| Seção 301b – Investigação sobre Trabalho Forçado |
Em investigação |
Conduzida de forma ampla contra todos os países; a exemplo da Seção 301, ainda não está em vigor e prevê listas de isenção. |
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Menor dependência e recorde de exportações
A necessidade do uso do painel é evidenciada pelo próprio redesenho do fluxo comercial do país. Historicamente, as exportações brasileiras vêm reduzindo sua concentração no mercado norte-americano: a dependência agregada em relação aos EUA recuou de 19,1% em 2005 para 10,8% em 2025. Essa mudança geopolítica alterou a liderança nos estados: em 2005, 17 estados brasileiros tinham os EUA como principal parceiro comercial; em 2025, esse número encolheu para apenas 6, enquanto a China assumiu o topo da balança comercial em 14 estados.
Atualmente, diagnóstico elaborado pela ApexBrasil aponta que 51,1% do valor total exportado aos EUA (US$ 19,3 bilhões) está isento das principais medidas restritivas. No entanto, uma fatia de 24,9% das vendas (US$ 9,4 bilhões) enfrenta sobretaxas entre 12,5% e 25%, e outros 20,2% estão submetidos às regras da Seção 232.
A exposição varia drasticamente por setor. O Açúcar e Etanol (ÚNICA) registram a menor exposição agregada, com apenas 2,6% voltados aos EUA, atingindo marcas de apenas 0,1% no açúcar de cana. Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) apresentam dependência total de 9,4% , enquanto o setor de Couros (CICB) registra 14,0%, dividindo o mercado com China e Itália. Revestimentos Cerâmicos (ANFACER) marcam 18,3% de exposição média.
Por outro lado, produtos específicos enfrentam vulnerabilidade regulatória por dependerem quase exclusivamente do comprador norte-americano, como o mel natural (84,0%), o sebo bovino (96,1%), os filés de tilápia (94,3%) e tipos específicos de madeira de coníferas (97,6%).
Apesar do ambiente de pressões e fricções tarifárias, o setor exportador brasileiro alcançou em 2025 marcas históricas absolutas, com um recorde de US$ 348,3 bilhões em exportações totais e uma corrente de comércio de US$ 628,4 bilhões, quase triplicando os valores registrados há duas décadas.
Resposta estratégica
A estratégia institucional de enfrentamento aos desafios tarifários da ApexBrasil apoia-se em dois pilares fundamentais de atuação: a diversificação ativa de mercados e a defesa de interesses de setores produtivos brasileiros em Washington.
Em 2025, a ApexBrasil executou mais de 80 ações de promoção comercial que conectaram 2.400 empresas nacionais a novos destinos. O impacto foi imediato: após a implementação das barreiras norte-americanas em agosto de 2025, 72% das empresas apoiadas que vendiam para os EUA conseguiram abrir ao menos um novo mercado alternativo de exportação.
A expansão ganhou tração global com o planejamento de 142 ações específicas direcionadas à UE, com a meta de atender 2.628 companhias e detalhar as vantagens do acordo comercial entre os blocos, com a expansão do programa Matchmaking on Demand para mercados estratégicos como México e Canadá, e com planejamento para a contratação de representação regional na América Central e Caribe dedicada a impulsionar a inserção de produtos brasileiros nessas regiões.
Além disso, a agência atuou intensamente em capacitar e dar voz aos exportadores diretamente na capital norte-americana. A agência treinou cerca de 20 setores para a defesa de interesses e forneceu consultoria individualizada para 10 deles formularem suas defesas técnicas e participarem de audiências públicas nos EUA.
Um caso de sucesso institucional ocorreu com o setor de rochas ornamentais (Centrorochas), que, por meio dessa articulação direta, conseguiu a retirada dos quartzitos da lista de produtos sobretaxados no primeiro "tarifaço" – uma vitória técnica que o setor agora busca replicar para granitos e mármores.
Oportunidades para o futuro
O redirecionamento do comércio exterior brasileiro aponta para horizontes de crescimento no médio e longo prazo. O Acordo Mercosul-União Europeia possibilitou o mapeamento de 543 oportunidades com desgravação tarifária imediata após a ratificação, abrindo um potencial estimado de US$ 1,1 bilhão adicionais em exportações para produtos como calçados (hoje tarifados entre 3% e 17%), café solúvel e uvas.
Quanto aos minerais críticos, o Brasil detém uma posição de vanguarda ao concentrar algumas das maiores reservas mundiais de insumos estratégicos para a tecnologia verde: 65,6% do nióbio, 24,7% das terras raras, 23,9% do grafite e 11,4% do níquel. O hiato existente entre o volume das reservas e a produção atual indica uma oportunidade em massa de expansão aduaneira, que já contabiliza US$ 7,15 bilhões em projetos greenfield mapeados.
Por fim, a consolidação desse novo panorama exportador reflete-se de forma contundente na ascensão do Sul Global e no protagonismo crescente dos mercados emergentes. O cenário geopolítico atual beneficia estrategicamente o Brasil, impulsionado pela projeção de a Índia se transformar na terceira maior economia do mundo até 2031, somada à manutenção da China como um parceiro comercial central e indispensável. Esse redirecionamento e a busca por novos horizontes já se traduzem em resultados robustos: entre 2023 e 2025, o país abriu com sucesso 600 novos mercados em 88 países diferentes, alcançando um potencial inédito de importação estimado em US$ 50 bilhões para esses novos destinos e consolidando um caminho de resiliência e soberania comercial diante dos desafios tarifários no hemisfério norte.
Informações: ApexBrasil