O Plano Safra 2026/27 oferecerá na temporada que começa na quarta-feira, 1º de julho, um total de R$ 525,1 bilhões em financiamentos para médios e grandes produtores, 1,7% a mais do que a oferta de crédito na temporada 2025/26, de R$ 516,2 bilhões. Os valores haviam sido antecipados pelo Broadcast Agro em entrevista exclusiva com o ministro da Agricultura, André de Paula. O governo confirmou os números nesta terça-feira, 30, durante o início da cerimônia de lançamento e destacou que trata-se de um aumento de R$ 9 bilhões em recursos.
A cifra inclui R$ 194 bilhões em recursos de Cédulas de Produto Rural (CPRs) originadas de Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) e da aplicação da poupança rural com direcionamento obrigatório. O governo considera os recursos de CPRs no cálculo final em virtude da isenção fiscal das LCAs direcionadas para o crédito rural, portanto, possuem renúncia fiscal e subvenção do Executivo.
O Plano Safra 2026/27 será lançado em instantes em Brasília (DF), pelo vice-presidente e presidente em exercício, Geraldo Alckmin, e pelo ministro da Agricultura. "O Plano Safra 2026/27 reafirma o papel do crédito rural como instrumento estratégico para ampliar a produção agropecuária, fortalecer a renda no campo, garantir o abastecimento e a segurança alimentar, impulsionar as exportações e elevar a competitividade do agronegócio brasileiro", afirmou o Ministério da Agricultura, em nota.
Do montante total, serão disponibilizados R$ 384,9 bilhões para custeio e comercialização no Plano Safra 2026/27, 7,2% menos que na temporada passada (R$ 414,7 bilhões). Para as linhas de investimento, serão destinados R$ 140,2 bilhões, 38% mais que os R$ 101,5 bilhões da temporada passada.
O governo cortou as taxas de juros do Plano Safra 2026/27 em quase todas as linhas de crédito da agricultura empresarial entre 0,5 ponto porcentual e 1,5 ponto porcentual, para 8% ao ano a 12,5% ao ano, entre as linhas de custeio e investimento, conforme antecipado pelo Broadcast Agro. No Plano Safra anterior, os juros oscilavam de 8,5% a 14%.
A redução de juros era o principal pleito do setor produtivo para o Plano Safra. A diminuição superou a queda da Selic acumulada no período, que saiu de 15% ao ano para 14,25% ao ano em um ano. Uma das principais alterações foi feita no custeio empresarial, cujos juros saíram de 14% ao ano para 12,5% ao ano. "Um dos principais avanços do Plano Safra 2026/27 é a redução das taxas máximas de juros em linhas estratégicas da agricultura empresarial. A queda da taxa Selic abre uma importante janela para a redução do custo financeiro do produtor e para a ampliação da capacidade de contratação do crédito rural. Com juros menores, o produtor ganha mais previsibilidade para planejar a safra, realizar investimentos na propriedade e organizar sua atividade produtiva", acrescentou o ministério.
O Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) terá R$ 72,6 bilhões em recursos com taxas controladas, 5% mais que os R$ 69,1 bilhões da safra anterior. Os juros dos financiamentos do Pronamp serão de 9% ao ano, um ponto porcentual abaixo dos 10% ao ano da temporada 2025/26. A ampliação de recursos para financiar médios produtores foi uma das prioridades do Ministério da Agricultura no Plano Safra atual.