
O dólar iniciou a semana em baixa no mercado à vista, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana no exterior, mas mudou de direção ao longo do pregão desta segunda-feira (29). A alta foi impulsionada principalmente por ajustes técnicos relacionados à formação da Ptax de fim de junho e do primeiro semestre, cuja taxa de referência será definida nesta terça-feira (30).
Apesar da recuperação, o avanço da moeda norte-americana foi limitado. Em junho, o dólar ainda acumula valorização de 2,47% frente ao real, e fatores externos continuaram influenciando o comportamento dos investidores.
No cenário internacional, o mercado acompanhou sinais de redução das tensões no Oriente Médio, o que favoreceu um leve aumento do apetite por ativos de risco. Ao mesmo tempo, a valorização do petróleo e do minério de ferro contribuiu para melhorar os termos de troca do Brasil, reduzindo parte da pressão sobre o câmbio.
Os investidores também monitoraram o mercado de juros. As taxas futuras avançaram moderadamente, acompanhando a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries), além da valorização do petróleo e das expectativas de inflação no Brasil.
O Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, manteve a projeção para a inflação de 2026 em 5,33%, acima do teto da meta de 4,5%. Para 2027, a estimativa subiu de 4,15% para 4,17%, enquanto as previsões para 2028 e 2029 permaneceram em 3,70% e 3,50%, respectivamente.
Outro indicador que chamou a atenção foi o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que registrou queda de 0,50% em junho. O resultado veio abaixo das expectativas do mercado e representou uma desaceleração em relação à alta de 0,84% observada em maio.
Na frente geopolítica, investidores também acompanharam novas informações sobre as relações entre Estados Unidos e Irã. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que uma reunião entre representantes dos dois países estaria prevista para esta semana, no Catar. No entanto, autoridades iranianas negaram a realização de encontros técnicos, mantendo as incertezas sobre o andamento das negociações.
A combinação entre fatores técnicos, indicadores econômicos e o cenário internacional deve continuar influenciando o comportamento do dólar e dos mercados financeiros nos próximos dias.
Fonte: Estadão