
As expectativas do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2026 permaneceram elevadas. Segundo o Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Banco Central, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi mantida em 5,33%, interrompendo uma sequência de 15 semanas consecutivas de alta.
Apesar da estabilidade, a estimativa continua acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo Banco Central, que é de 4,5%. Há um mês, a expectativa dos analistas era de 5,09%, indicando que o mercado ainda enxerga um cenário de preços pressionados para o próximo ano.
Considerando apenas as projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, que costumam refletir mais rapidamente as mudanças no cenário econômico, a mediana permaneceu em 5,36%.
As previsões para os anos seguintes também sofreram pequenos ajustes. Para 2027, a expectativa de inflação passou de 4,15% para 4,17%, permanecendo acima do centro da meta. Já para 2028, a projeção foi mantida em 3,70%, enquanto a estimativa para 2029 segue estável em 3,50% pela 43ª semana consecutiva.
As projeções do mercado continuam superiores às estimativas oficiais do Banco Central. No Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado na última semana, a autoridade monetária prevê inflação de 5,2% em 2026, 3,7% em 2027 e 3,1% em 2028.
Desde 2025, o regime de metas de inflação passou a ser contínuo, considerando o IPCA acumulado em 12 meses. O objetivo central é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Caso a inflação permaneça fora desse intervalo durante seis meses consecutivos, o Banco Central é considerado oficialmente fora da meta.
O Relatório Focus reúne semanalmente as projeções de instituições financeiras e consultorias econômicas, servindo como uma das principais referências para acompanhar as expectativas do mercado em relação ao desempenho da economia brasileira.
Fonte: Estadão