Em apresentação sobre o cenário para a inflação, a dirigente do Banco Central Europeu (BCE) Isabel Schnabel voltou a sinalizar que há a expectativa de aumento de juros por parte do BCE para levar a inflação da zona do euro à meta de 2% no médio prazo. O material foi divulgado neste sábado, 27, no Petersberger Sommer-Dialog 2026, evento de finanças em Königswinter, na Alemanha.
Schnabel apresentou a visão sobre os efeitos do choque do petróleo sobre a inflação na região. A expectativa é de que os preços do barril sigam em patamar elevado, à medida que o Estreito de Ormuz é reaberto gradualmente. Ainda que a incerteza permaneça elevada, o acordo de paz anunciado recentemente torna os cenários negativos "menos prováveis", na visão do BCE.
"Atingiu a zona do euro de forma particularmente intensa, mas menos do que em choques anteriores de preços do petróleo", ponderou. A leitura é de que o choque de oferta pode alimentar uma dinâmica inflacionária mais ampla, com efeitos de primeira e segunda ordem.
Projeções da equipe técnica do BCE apontam para menor crescimento e inflação mais elevada na zona do euro devido à guerra. "Custos de energia mais altos estão pressionando a confiança e o consumo privado", diz um dos slides da apresentação. O BCE ainda reiterou os riscos de alta sobre a inflação de alimentos, bens e serviços.
"Riscos à estabilidade financeira estão aumentando devido às avaliações esticadas dos ativos de risco e ao maior nível de alavancagem", concluiu a apresentação.