São Paulo, 25 - A colheita do milho segunda safra 2025/26 em Mato Grosso do Sul começou em ritmo lento, pressionada pelas chuvas, enquanto a comercialização também segue abaixo do nível observado no ano passado. Até a terceira semana de junho, os trabalhos de campo alcançavam apenas 0,20% da área cultivada, atraso de 4,1 pontos porcentuais em relação a igual período do ciclo anterior, segundo o Projeto Siga-MS, executado pela Aprosoja/MS com recursos do Fundems/Semadesc.
O atraso ocorre em uma área estimada em 2,206 milhões de hectares, com produtividade média prevista de 84,2 sacas por hectare e produção de 11,139 milhões de toneladas. O milho segunda safra deve ocupar cerca de 46% da área destinada à soja no Estado, porcentual inferior aos 75% registrados em anos anteriores. Segundo o boletim, a redução reflete o peso da janela de plantio definida pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), que leva em conta a disponibilidade hídrica, o risco de geadas e a distribuição das chuvas. Áreas fora das janelas mais favoráveis vêm sendo direcionadas para culturas alternativas, como sorgo, milheto e pastagens.
Além da colheita lenta, a venda antecipada do cereal também está mais atrasada. Levantamento da Granos Corretora citado no boletim mostra que Mato Grosso do Sul havia comercializado 29,5% do milho segunda safra de 2026 até 22 de junho. O porcentual representa queda de 8,5 pontos porcentuais ante igual período de 2025.
A combinação de menor avanço físico da colheita e a comercialização mais lenta mantêm o mercado estadual sem força para uma virada clara no curto prazo. Na avaliação da Aprosoja-MS, a chuva foi o principal fator de atraso das máquinas no campo. "O volume elevado de precipitações registrado nos principais municípios produtores de milho contribuiu para retardar o avanço da colheita", afirmou, em nota, o coordenador técnico da entidade, Gabriel Balta.
Balta pondera, porém, que o calendário do milho em Mato Grosso do Sul costuma ganhar ritmo apenas a partir da segunda quinzena de julho, com pico dos trabalhos entre o fim de julho e o início de setembro. O ponto de atenção, segundo ele, é que a instabilidade climática deste ano reduz a previsibilidade da janela de retirada do grão. "Observamos maior instabilidade climática, com possibilidade de chuvas irregulares, ventos fortes e até ocorrência de granizo em algumas regiões", disse. "Por isso, é recomendável que os produtores acompanhem as condições das lavouras e realizem a colheita dentro da melhor janela possível."
O quadro das lavouras ainda é majoritariamente positivo, mas com diferenças relevantes entre regiões. No Estado, 70,8% das áreas acompanhadas são classificadas em boas condições, 18,3% em situação regular e 10,9% em condição ruim. As melhores avaliações estão nas regiões norte, nordeste e oeste, onde as lavouras boas variam de 79,4% a 92,1% da área. O centro do Estado tem o pior indicador, com 23,8% das lavouras em condição ruim, seguido pela região sul-fronteira, com 17,7%.
No sul, maior polo produtor entre os municípios acompanhados, a situação é menos homogênea. A região tem 64,1% das lavouras em boas condições, mas 31% em situação regular, sinal de que parte relevante da área ainda depende de clima favorável para consolidar o potencial produtivo. Na região centro, municípios como Rio Brilhante, Sidrolândia e Nova Alvorada do Sul aparecem com 25% das lavouras em condição ruim.
A previsão climática para o período entre 22 de junho e 8 de julho indica acumulados de chuva entre 10 e 50 milímetros nas regiões centro-sul, sudeste e nordeste de Mato Grosso do Sul, o que pode continuar interferindo no avanço da colheita. Embora o milho normalmente tolere permanência mais longa no campo do que a soja, a ocorrência de chuvas irregulares, vento e granizo eleva o risco de perdas pontuais e reforça a necessidade de atenção à janela de retirada.