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O comércio mundial voltou a registrar crescimento em abril, demonstrando resiliência mesmo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio e das preocupações com o cenário econômico internacional. Dados divulgados pelo Escritório de Análise de Política Econômica da Holanda (CPB) apontam que os fluxos globais de comércio avançaram 0,7% em relação a março, quando haviam recuado 2,3%.
De acordo com o relatório, o resultado positivo foi sustentado principalmente pelo movimento de empresas que aceleraram a formação de estoques para evitar possíveis problemas de abastecimento e aumentos de custos provocados pelo conflito envolvendo o Irã. Além disso, a forte demanda por tecnologia ligada à inteligência artificial continuou impulsionando os negócios globais de semicondutores e equipamentos eletrônicos.
Apesar das preocupações com a estabilidade da região do Golfo, o CPB avalia que os impactos da guerra sobre o comércio internacional permaneceram limitados em abril. Os efeitos mais significativos foram observados nas exportações e importações dos países diretamente ligados à região.
Após uma forte queda registrada em março, as exportações do Oriente Médio e da África apresentaram recuperação parcial. A China e outras economias asiáticas em desenvolvimento também voltaram a crescer, beneficiadas pela normalização das atividades após o período do Ano Novo Chinês.
O desempenho recente reforça uma tendência de resistência do comércio global. Segundo o levantamento, o volume negociado entre os países avançou 4,2% ao longo de 2025, mesmo diante das tarifas implementadas pelos Estados Unidos. Já no primeiro trimestre de 2026, a expansão acumulada foi de 3,6%.
As perspectivas para os próximos meses seguem positivas. A Organização Mundial do Comércio (OMC) estima crescimento de 2,5% no comércio global em 2026 caso persistam as interrupções nas rotas marítimas ligadas ao Estreito de Ormuz. Em um cenário mais favorável, impulsionado pela expansão da inteligência artificial, a alta pode chegar a 3%.
O Banco Mundial também revisou suas projeções para cima neste mês. A instituição passou a prever crescimento de 2,9% para o comércio mundial em 2026 e de 3,3% em 2027. Entre os fatores que sustentam a melhora das expectativas estão a continuidade dos investimentos em inteligência artificial e a redução de tarifas comerciais nos Estados Unidos, fortalecendo o ambiente para negócios internacionais.
O cenário indica que, mesmo diante dos desafios geopolíticos e das incertezas econômicas, a tecnologia e a recomposição das cadeias globais de suprimentos continuam sendo importantes motores para a expansão do comércio mundial.
Fonte: Estadão