
As bolsas da Europa encerraram o pregão desta quarta-feira (24) sem uma direção única, mas com predominância de resultados negativos. O principal fator de pressão veio do setor de defesa, que registrou fortes perdas após notícias sobre mudanças em um importante programa militar da Alemanha.
Os investidores também mantiveram postura cautelosa diante das perspectivas para o setor global de tecnologia, enquanto a forte queda dos preços do petróleo influenciou o desempenho de empresas ligadas à energia e matérias-primas.
Entre os principais índices do continente, o destaque positivo ficou com a Bolsa de Londres, que encerrou o dia em alta de 0,31%. Já Frankfurt registrou queda de 0,71%, enquanto Milão recuou 0,74%, Madri perdeu 0,46% e Lisboa fechou com baixa de 0,88%. Paris contrariou a tendência e avançou 0,54%.
O maior impacto veio da indústria de defesa. A fabricante alemã Rheinmetall sofreu forte desvalorização após informações de que o governo alemão pretende abandonar um projeto de construção de seis fragatas da classe F126, programa avaliado em cerca de 12 bilhões de euros.
A notícia gerou preocupação entre investidores sobre os efeitos da decisão na carteira de contratos da companhia. Outras empresas do setor também acompanharam o movimento de queda, incluindo Renk, Hensoldt e Leonardo.
Na contramão, a empresa alemã TKMS registrou forte valorização, impulsionada pela percepção de que poderá ser beneficiada por uma eventual reformulação do programa naval alemão.
Outro destaque do dia foi a britânica Segro, que disparou após rejeitar uma proposta bilionária de aquisição apresentada pela empresa norte-americana Prologis.
Além do setor de defesa, as empresas ligadas à energia e mineração também enfrentaram um dia difícil. O avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a normalização do fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz contribuíram para uma queda significativa dos preços do petróleo, além de pressionarem commodities como cobre e ouro.
No campo econômico, os investidores acompanharam a divulgação do índice Ifo, um dos principais termômetros da confiança empresarial da Alemanha. O indicador avançou de 85 para 85,6 pontos em junho, registrando a segunda alta consecutiva.
Analistas avaliam que a melhora sugere uma recuperação gradual do sentimento empresarial alemão, impulsionada pela expectativa de redução dos custos de energia. Apesar disso, ainda existem dúvidas sobre o desempenho da maior economia da Europa, que pode voltar a apresentar contração no segundo trimestre do ano.
O cenário reforça a cautela dos mercados, que seguem monitorando os desdobramentos geopolíticos, o comportamento das commodities e os sinais de recuperação econômica no continente europeu.
Fonte: Dow Jones Newswires.