
As principais bolsas da Europa operaram sem direção única na manhã desta quarta-feira (24), mas o sentimento predominante foi de cautela. O principal fator de pressão veio do setor de defesa, que registrou fortes perdas após notícias de que a Alemanha pretende abandonar um ambicioso projeto de construção naval militar.
Segundo informações divulgadas pela revista Der Spiegel e pelo jornal Financial Times, o governo alemão deve desistir da construção de seis fragatas F126, um programa que seria o maior investimento já realizado pela Marinha do país.
A notícia provocou uma forte reação entre as empresas ligadas à indústria de defesa. A Rheinmetall, uma das maiores fabricantes de armamentos da Europa e considerada uma das principais beneficiárias dos contratos militares alemães, registrou queda de cerca de 15%. Outras companhias do setor, como Renk, Hensoldt e Leonardo, também operaram em baixa, com perdas entre 4% e 6%.
Na contramão, a TKMS avançou mais de 9%, impulsionada pela expectativa de que possa participar de uma alternativa ao projeto original.
Além das preocupações com o setor militar, os investidores continuam acompanhando o cenário geopolítico internacional. O petróleo recuou pelo terceiro dia consecutivo, refletindo sinais de normalização gradual do fluxo de embarcações no Estreito de Ormuz após o acordo provisório de paz firmado entre Estados Unidos e Irã.
O barril do petróleo Brent caiu cerca de 1,5%, sendo negociado abaixo dos US$ 76, atingindo o menor patamar desde o fim de fevereiro. A queda dos preços reduz preocupações sobre possíveis impactos da tensão no Oriente Médio sobre o abastecimento global de energia.
No campo econômico, o índice Ifo, que mede a confiança das empresas alemãs, apresentou melhora em junho ao alcançar 85,6 pontos. Apesar do avanço, o resultado ficou ligeiramente abaixo das expectativas do mercado.
Entre os principais mercados acionários do continente, Frankfurt liderava as perdas com recuo de 0,97%. As bolsas de Londres, Milão, Madri e Lisboa também registravam baixas. Já Paris destoava do cenário negativo e operava com leve valorização.
O movimento mostra que investidores seguem atentos tanto às decisões de governos europeus quanto aos desdobramentos geopolíticos globais, fatores que continuam influenciando o comportamento dos mercados financeiros.
Fonte: Estadão