Ibovespa acumula queda semanal por expectativa de juro maior nos EUA

19/06/2026 às 17:57 atualizado por Caroline Aragaki - Estadão | Siga-nos no Google News
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O Ibovespa operou lateralizado nesta sexta-feira, sem referência das bolsas de Nova York por conta do feriado de Juneteenth e sob liquidez reduzida. Na semana, o índice acumulou queda de 1,64%, pressionado principalmente pela expectativa de alta de juros nos Estados Unidos - e que pode influenciar a política monetária brasileira - ainda em 2026. Os investidores aguardam uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear do Irã, após adiamento, e a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) para montar posições mais firmes.

Volátil desde cedo, o Ibovespa oscilou por uma faixa estreita, de pouco mais de mil pontos da mínima de 167.657,53 (-0,37%) pela manhã até a máxima de 168.786,54 (+0,30%) à tarde, por fim fechando aos 168.333,61 (+0,03%) pontos. Com a queda semanal, aprofundou as perdas do mês de junho para 3,14% e limitou os ganhos do ano a 4,47%.

Em relação ao desempenho limitado do índice brasileiro nesta sexta, Bruna Centeno, sócia advisor da Blue3 Investimentos, nota que o feriado nos EUA deixou a liquidez reduzida e o compasso do investidor foi mais de espera, após a Superquarta e a quinta-feira terem sido dias de bastante movimentação. "Como metade do fluxo vem do mercado externo e principalmente dos EUA, o feriado em NY faz com que haja menos movimento", afirma.

O giro financeiro de R$ 27,49 bilhões no Ibovespa hoje só não foi menor por conta do vencimento de opções sobre ações.

Entre as blue chips, as ações da Petrobras fecharam em direções opostas, com alta de 0,49% da ordinária e queda de 0,13% da preferencial. Já Vale subiu 1,01% e os grandes bancos, em sua maioria, caíram - com exceção de Santander Unit (+0,60%).

Principal foco dos mercados há meses, a novela envolvendo o Oriente Médio ainda parece distante de ter um final definitivo. As negociações entre EUA e Irã para tratar da questão nuclear, previstas para esta sexta, foram canceladas após intensos combates entre Israel e Hezbollah no sul do Líbano, segundo a Associated Press. Como resultado, os contratos futuros de petróleo subiram quase 1%, com Brent a US$ 80 por barril.

Contudo, para a economista-chefe da Coface Latin America, Patricia Krause, o mercado parece entender que as conversas devem ser remarcadas - "caso contrário, haveria disruptura total e o preço do petróleo teria subido ainda mais", afirma. Há, ainda, relatos de melhora de fluxo no Estreito de Ormuz, então a semana em termos geopolíticos foi, em geral, otimista, considera.

O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou no período da tarde que o Irã foi derrotado militarmente. Também chamou o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de "volátil" e diz que não pensa muito nele. Ambas as declarações, contudo, não fizeram grande preço para a Bolsa brasileira.

"O Trump precisa resolver uma questão mais urgente, o conflito com o Irã. O trade eleitoral ainda não tem força", afirma Centeno, da Blue3.

Nesta sexta-feira, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em entrevista ao SBT News que não pretende dar fim aos pisos constitucionais da saúde e da educação, nem acabar com a vinculação do salário mínimo à inflação ou realizar uma reforma da Previdência. A declaração foi lida por profissionais de renda fixa como contrária à ideia de ajuste fiscal e induziu uma alta mais expressiva dos juros futuros, mas não chegou a ter impacto significativo para a renda variável.

Para a sócia advisor da Blue3 Investimentos, além da questão no Oriente Médio, os investidores ficam no aguardo da ata da reunião de junho do Copom, prevista para a próxima terça-feira, 23. "Estamos naturalmente em compasso de espera pelo ponto de desdobramento de EUA e Irã, que influencia o preço do petróleo, e os próximos passos para juro. Por ora não há clareza, firmeza, para se posicionar 100%", disse.

Foi inclusive a política monetária que justifica a maior parte da queda do Ibovespa nesta semana, segundo Krause, da Coface. "A comunicação de perseguir inflação e a mudança no gráfico de pontos indicando alta de juros esse ano pelo Fed pesou", disse ela.


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