
As negociações da safra de laranja 2026/27 destinada à indústria de suco começaram de forma gradual, com ritmo de contratação ainda moderado. Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), grande parte das processadoras segue concentrada no processamento de frutas próprias, enquanto algumas unidades já recebem matéria-prima de terceiros por meio de contratos renegociados.
De acordo com os pesquisadores, o avanço das compras está diretamente ligado aos critérios de qualidade da fruta e ao potencial de rendimento industrial. Como boa parte dos pomares ainda não alcançou o ponto ideal de maturação, as indústrias têm direcionado as aquisições para frutas de meia estação produzidas nas regiões mais adiantadas do norte do estado de São Paulo e do Triângulo Mineiro.
Embora a participação das variedades precoces esteja aumentando gradualmente no mercado, agentes do setor relatam que as processadoras continuam demonstrando preferência por lotes de meia estação provenientes de áreas com desenvolvimento mais avançado. A estratégia busca garantir maior eficiência no processamento e melhor aproveitamento da matéria-prima.
Outro fator que tem chamado a atenção do setor é a qualidade abaixo do esperado em parte dos pomares localizados fora do principal cinturão citrícola formado por São Paulo e Triângulo Mineiro. Segundo fontes consultadas pelo Cepea, a situação é mais evidente em áreas do Paraná, o que pode reduzir as chances de valorização das frutas produzidas no estado neste início de temporada.
Apesar da cautela observada nas negociações, a expectativa é de aquecimento gradual da atividade industrial nas próximas semanas. Com o avanço da maturação dos pomares e o aumento da oferta disponível, pesquisadores do Cepea projetam a entrada em operação de um número maior de unidades processadoras ao longo de julho.
Fonte: Cepea.