São Paulo, 16 - A JBS apresentou ontem, durante seu Investor Day 2026, uma estratégia de crescimento baseada na diversificação de proteínas, expansão internacional, fortalecimento de marcas e avanço em novos negócios como ovos, biotecnologia e proteínas alternativas. A companhia também reforçou a expectativa de capturar ganhos de eficiência operacional e ampliar margens em diferentes unidades de negócio.
Segundo a apresentação da empresa, a criação de valor para os acionistas passa por uma combinação de crescimento orgânico, aquisições, expansão em novas geografias e novas categorias de proteína. Entre as prioridades estão o aumento da participação em produtos de maior valor agregado, o fortalecimento de marcas, investimentos em inteligência artificial e automação, além da entrada em segmentos como ovos, salmão e biotecnologia. A companhia também citou a expansão em regiões como Paraguai, Omã e Oriente Médio e Norte da África.
Um dos destaques do plano é a plataforma global de ovos da Mantiqueira. A JBS classificou o negócio como uma "plataforma global de crescimento", destacando capacidade para 30 milhões de aves, operações no Brasil e nos Estados Unidos e posição entre os quatro maiores produtores mundiais de ovos. A empresa também aposta em marcas premium e em produtos voltados ao mercado de proteínas funcionais, como a bebida N.OVO, que contém 17 gramas de proteína.
A companhia também reforçou a aposta em biotecnologia. A operação inclui a Genu-in, voltada à produção de peptídeos bioativos, e a BioTech Foods, na Espanha, dedicada ao desenvolvimento de proteínas alternativas por cultivo celular e outras tecnologias. Segundo a apresentação, o objetivo é desenvolver "ingredientes funcionais e bioativos de alto desempenho" para aplicações em suplementos alimentares, bebidas e produtos nutricionais.
A estratégia está apoiada na avaliação de que o consumo global de proteína continuará crescendo nos próximos anos. A JBS destacou que o mercado de alimentos ricos em proteína deverá avançar a uma taxa anual de 8% entre 2025 e 2034 e apontou o aumento do uso de medicamentos GLP-1 como um dos fatores que impulsionam a demanda. A empresa também afirmou que as preferências dos consumidores estão migrando para dietas com maior teor proteico, impulsionadas por preocupações com saúde e estilo de vida.
No Oriente Médio, a companhia destacou a expansão da marca Seara e novos investimentos industriais. A operação da marca na região alcançou receita líquida de US$ 500 milhões em 2025, com duas fábricas em operação e uma terceira unidade em construção em Jeddah, na Arábia Saudita. A empresa afirmou ainda que o reconhecimento da marca passou de 22% para 92% entre 2022 e 2025.
Além disso, a JBS anunciou um projeto em Omã que prevê investimento de US$ 150 milhões e receita potencial de US$ 1,5 bilhão quando atingir plena capacidade. O complexo terá capacidade diária para processar mil cabeças de bovinos, cinco mil ovinos e 600 mil aves.
No Brasil, a empresa demonstrou confiança no potencial de expansão da produção de carne bovina. Segundo a apresentação, a oferta global de bovinos está em um dos níveis mais baixos das últimas décadas, enquanto a população mundial continua crescendo. A companhia avalia que o Brasil reúne condições para ampliar a produção sem necessidade de expansão de área, por meio da intensificação dos sistemas produtivos, melhoria genética, nutrição e redução da idade de abate.
A apresentação destacou que o País possui o maior rebanho comercial de bovinos do mundo, com 192,6 milhões de cabeças, e que "tem potencial para aumentar a produção sem aumentar o uso de terras". A JBS também argumentou que a maior disponibilidade de etanol de milho no Brasil deverá elevar a oferta de DDG, insumo utilizado na alimentação animal, favorecendo um novo ciclo de crescimento da pecuária.
Do lado financeiro, a empresa reforçou a disciplina na alocação de capital e destacou que gerou US$ 14,6 bilhões de fluxo de caixa livre, excluindo capex de expansão, entre 2019 e o primeiro trimestre de 2026. Em igual período, distribuiu US$ 6,4 bilhões em dividendos e recomprou US$ 3,4 bilhões em ações. A companhia afirmou ainda que se tornou uma pagadora relevante de dividendos, com previsão de distribuição de US$ 1,07 bilhão em junho deste ano.
Ao resumir a estratégia para os próximos anos, a JBS destacou cinco pilares: "crescimento contínuo", "expansão de margens", "redução da volatilidade", "disciplina financeira" e "retorno aos acionistas por meio de dividendos e recompra de ações".