Copom inicia reunião que pode definir novo corte da Selic

Mercado espera redução dos juros, mas inflação e cenário eleitoral mantêm cautela sobre os próximos passos

16/06/2026 às 10:32 atualizado por Redação - SBA | Siga-nos no Google News
:

 

O Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou na manhã desta terça-feira (16) mais uma reunião decisiva para os rumos da economia brasileira. A expectativa predominante no mercado financeiro é de um novo corte na taxa básica de juros, a Selic, cuja decisão será anunciada pelo Banco Central na quarta-feira (17), após as 18h30.

A primeira etapa do encontro começou às 10h04 e é dedicada à análise de dados econômicos apresentados por técnicos da instituição. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e os demais integrantes do comitê avaliam informações sobre atividade econômica, inflação, mercado de trabalho e cenário internacional antes de definir o novo patamar dos juros.

Segundo levantamento realizado pelo mercado financeiro, a maior parte das instituições consultadas espera uma redução de 0,25 ponto percentual na Selic, que passaria dos atuais 14,50% para 14,25% ao ano.

Nos últimos dias, a expectativa de corte ganhou força após o anúncio de um acordo provisório de paz entre Estados Unidos e Irã. A diminuição das tensões no Oriente Médio contribuiu para a queda dos preços do petróleo e reduziu parte das preocupações com a inflação global, criando um ambiente mais favorável para a continuidade da flexibilização monetária.

Mesmo assim, economistas avaliam que o espaço para novos cortes está ficando mais limitado. A percepção predominante é que o ciclo de redução dos juros se aproxima do fim e que esta reunião pode marcar o último ou um dos últimos cortes consecutivos promovidos pelo Banco Central.

Entre os fatores que sustentam essa cautela estão a persistência da inflação acima da meta e o aumento das incertezas econômicas com a aproximação do período eleitoral.

As projeções do mercado mostram uma piora nas expectativas inflacionárias. Segundo o Boletim Focus, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2026 subiu de 4,86% para 5,30%, permanecendo acima do teto da meta de inflação, que é de 4,50%.

Para 2027, período considerado relevante para as decisões atuais de política monetária, a projeção também avançou, passando de 4,00% para 4,10%.

As expectativas para os juros futuros seguem na mesma direção. A mediana das projeções para a Selic no fim de 2026 subiu de 13,00% para 13,75%. Considerando apenas as estimativas mais recentes, atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a previsão já alcança 14,00%.

Outro fator monitorado pelo Banco Central é o comportamento do câmbio. Desde a última reunião do Copom, a projeção para o dólar utilizada nos cenários de referência passou de R$ 5,00 para R$ 5,10, movimento que também influencia as perspectivas para a inflação.

Diante desse cenário, investidores, empresários e consumidores aguardam a decisão do Copom para entender qual será a estratégia da autoridade monetária nos próximos meses e até que ponto ainda haverá espaço para novos cortes nos juros brasileiros.

 

Fonte: Estadão


Últimas Notícias

Whatsapp