
O agronegócio brasileiro deve movimentar R$ 1,419 trilhão em 2026, segundo nova projeção divulgada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Apesar do valor expressivo, a estimativa representa uma queda de 4,6% em comparação com o resultado de 2025, refletindo principalmente a expectativa de preços mais baixos para diversas commodities agrícolas e a desaceleração da produtividade em algumas culturas.
Os dados fazem parte do levantamento mensal do Valor Bruto da Produção (VBP), indicador que mede o faturamento bruto gerado dentro das propriedades rurais com base na produção agrícola e pecuária e nos preços recebidos pelos produtores.
Embora a projeção para 2026 tenha sido revisada para cima em relação ao levantamento anterior — passando de R$ 1,413 trilhão para R$ 1,419 trilhão — o setor ainda deverá registrar desempenho inferior ao observado no ano passado.
Do total previsto para este ano, cerca de R$ 908,9 bilhões devem ser gerados pelas lavouras, o equivalente a 64% do VBP nacional. O valor representa uma redução de 5,9% em relação a 2025. Já a pecuária deve responder por R$ 510,2 bilhões, participação de 36% no total, com recuo estimado de 2,2%.
Entre as principais culturas do país, a soja continuará liderando o faturamento do campo, com receita projetada em R$ 338,5 bilhões. Ainda assim, o resultado deverá ficar 0,9% abaixo do registrado no ano anterior.
O milho também deve apresentar retração, com faturamento estimado em R$ 162,2 bilhões, queda de 6%. O café aparece na sequência, com previsão de receita de R$ 109,6 bilhões, recuo de 7,9%.
A cana-de-açúcar, uma das culturas mais importantes para a economia agrícola nacional, deve gerar R$ 110,8 bilhões, resultado 8,6% menor na comparação anual. Já a laranja pode registrar uma das maiores quedas entre as principais cadeias produtivas, com redução de 38% no faturamento.
Outras culturas também apresentam projeções negativas. O trigo deve ter queda de 18,2%, o algodão de 10,2%, o arroz de 30% e o cacau de expressivos 56,8%.
Na contramão desse movimento, algumas atividades agrícolas devem ampliar a receita em 2026. É o caso das lavouras de feijão, banana, mandioca, tomate e batata, que aparecem como exceções em meio ao cenário de desaceleração.
Entre elas, o feijão se destaca com crescimento projetado de 12,6%, alcançando faturamento de R$ 13,7 bilhões.
Na pecuária, o principal destaque continua sendo a bovinocultura. A cadeia de bovinos é a única com previsão de crescimento neste ano, com avanço estimado em 8,9% e faturamento de R$ 248,7 bilhões. O segmento segue como o mais relevante dentro da produção pecuária brasileira.
Por outro lado, suínos, frangos, leite e ovos devem registrar retração nas receitas. O setor de suínos pode apresentar queda de 20,3%, enquanto a avicultura deve recuar 10,4%. A produção de leite tem previsão de redução de 4,8%, e a de ovos, de 7,9%.
O levantamento reforça que, apesar da força do agronegócio na economia brasileira, o comportamento dos preços internacionais e os desafios de produtividade continuam influenciando diretamente os resultados do setor. Ainda assim, o faturamento acima de R$ 1,4 trilhão confirma a importância do campo para a geração de riqueza, empregos e exportações no país.
Fonte: Estadão