
As expectativas do mercado financeiro para a taxa básica de juros voltaram a subir, segundo os dados mais recentes do relatório Focus, divulgado pelo Banco Central. O movimento reflete a cautela dos investidores diante das incertezas no cenário internacional, especialmente em relação aos impactos econômicos da guerra no Oriente Médio e à volatilidade dos preços do petróleo.
Para o fim de 2026, a projeção mediana para a Selic passou de 13,50% para 13,75% ao ano. Há um mês, a estimativa era de 13,25%. Considerando apenas as previsões atualizadas nos últimos cinco dias úteis, que costumam refletir mais rapidamente as mudanças no cenário econômico, a expectativa subiu para 14%.
As projeções para os anos seguintes também avançaram. Para 2027, a mediana do Focus passou de 11,50% para 12,00%, enquanto a previsão para 2028 aumentou de 10,00% para 10,25%, interrompendo uma sequência de 20 semanas de estabilidade. Já a estimativa para 2029 permaneceu em 10,00% pela sexta semana consecutiva.
O ajuste nas previsões ocorre em meio às dúvidas sobre a velocidade do ciclo de redução dos juros conduzido pelo Banco Central. Neste ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) promoveu dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,50% ao ano.
Apesar das reduções, o Banco Central tem adotado um discurso cauteloso. Na ata da última reunião, o Copom destacou que a magnitude e a duração do ciclo de flexibilização monetária dependerão da evolução do cenário econômico e dos efeitos provocados pelo conflito no Oriente Médio.
Segundo o comitê, a estratégia é manter "cautela e serenidade" na condução da política monetária, acompanhando de perto os impactos diretos e indiretos dos acontecimentos internacionais sobre a inflação e a atividade econômica.
Com a elevação das projeções para os próximos anos, o mercado sinaliza que os juros devem permanecer em níveis elevados por mais tempo, refletindo um ambiente de maior incerteza e atenção aos riscos inflacionários globais.
Fonte: Estadão