Cecafé: exportações de café sobem 3,6% em maio, mas caem 16% em receita

Nova safra impulsiona embarques e reforça expectativa de recuperação no segundo semestre

12/06/2026 às 16:17 atualizado por Tânia Rabello - Estadão | Siga-nos no Google News
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As exportações brasileiras de café voltaram a crescer em maio, impulsionadas pela chegada da nova safra. Apesar da recuperação mensal, o setor ainda registra desempenho inferior ao do ano passado tanto em volume embarcado quanto em receita.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o País exportou 3,089 milhões de sacas de 60 quilos em maio, aumento de 3,6% na comparação com o mesmo mês de 2025. A receita cambial, porém, recuou 16%, totalizando US$ 1,050 bilhão.

No acumulado dos 11 primeiros meses da safra 2025/26, entre julho de 2025 e maio de 2026, os embarques somaram 35,373 milhões de sacas, queda de 17,7% em relação ao ciclo anterior. O faturamento atingiu US$ 13,612 bilhões, retração de 0,7%.

Considerando apenas os cinco primeiros meses de 2026, o Brasil enviou ao exterior 14,745 milhões de sacas, volume 12,4% menor que o registrado no mesmo período do ano passado. A receita também diminuiu, caindo 14,6% e fechando em US$ 5,552 bilhões.

Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, o resultado era esperado devido à transição entre a entressafra e a entrada da nova colheita. Ele destacou que o avanço observado em maio foi puxado principalmente pelos cafés canéforas, como conilon e robusta, movimento que também deve ocorrer com o arábica nos próximos meses.

A expectativa do setor é de melhora ao longo do segundo semestre. A previsão de uma colheita recorde, favorecida pelas boas condições climáticas nas principais regiões produtoras, deve ampliar a oferta e fortalecer os embarques para o mercado internacional.

Mesmo com o cenário positivo para a produção, o setor acompanha com atenção fatores externos que podem afetar os negócios. Entre os principais desafios estão os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os fretes marítimos, os gargalos da infraestrutura portuária brasileira e as incertezas relacionadas à política comercial dos Estados Unidos.

Entre os principais destinos do café brasileiro em 2026, a Alemanha segue na liderança, com 1,911 milhão de sacas adquiridas entre janeiro e maio. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 1,771 milhão de sacas, seguidos por Itália, Bélgica e Japão.

O café arábica continua sendo o principal produto exportado, representando 75,5% dos embarques no período. Já os cafés canéforas mantêm forte expansão, com crescimento de 86,5% em relação ao ano passado.

Os cafés diferenciados, que incluem produtos especiais, certificados e de qualidade superior, responderam por 17,6% das exportações brasileiras. Embora o segmento tenha registrado queda em volume e receita, continua representando uma parcela importante do faturamento do setor.

Na logística, o Porto de Santos manteve a liderança absoluta, concentrando 72,8% dos embarques de café do Brasil entre janeiro e maio. O complexo portuário do Rio de Janeiro ficou com 23,2% das operações, enquanto Paranaguá respondeu por 1,1%.


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