A sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que houve um acordo preliminar com o Irã e outros países do Oriente Médio para encerrar o conflito na região devolveu o apetite por risco aos investidores e colaborou para o Ibovespa fechar em alta nesta quinta-feira, 11. A falta de clareza sobre os termos do acordo, porém, limita eventuais novos avanços do índice.
"É uma notícia que traz sinal de que os canais diplomáticos continuam ativos, apesar da escalada militar", disse Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos.
Ele acrescenta, porém, que há outros fatores influenciando a Bolsa - entre eles os preços do petróleo, a expectativa de inflação global e o fluxo de capital estrangeiro. No curto prazo, a tendência do Ibovespa é ficar "lateralizado ou ajustar um pouco para cima".
O Ibovespa terminou o pregão com avanço de 1,71%, a 171.497,24 pontos, perto da máxima intradia (171.926,72 pontos) e longe da mínima da sessão (168.280,39 pontos). O volume de negócios foi de R$ 30,391 bilhões.
Boragini ressalta que o Ibovespa deve voltar a subir quando os investidores estrangeiros retomarem o apetite por investimentos no país. Isso deve acontecer quando houver mais certeza sobre o fim das hostilidades entre Estados Unidos e Irã e conforme forem concluídas as ofertas de capital de grandes empresas de tecnologia, entre elas a SpaceX, que estão drenando recursos dos mercados.
Eduardo Carlier, codiretor da Azimut Brasil Wealth Management, aponta outros pontos que precisam se resolver para que a Bolsa brasileira volte a exibir a pujança dos meses anteriores.
"No cenário pré-guerra, tínhamos fluxo estrangeiro positivo, cenário eleitoral equilibrado e Brasil como um dos únicos países a ter corte de juros. A gente enfraqueceu nas três condições. Perdeu fluxo, cenário eleitoral ficou mais inclinado ao governo atual e cortes de juros sumiram. Haveria uma reprecificação com a melhora de cada uma dessas coisas", disse ele.
Carlier cita a queda nos preços do petróleo, que pode trazer alívio ao quadro inflacionário, como um elemento que ajuda a melhorar o cenário no curto prazo. "O alívio vem de saber que estamos descartando cenários de preços mais altos, de maior estresse, que estão mais longe."