
A mastite é a principal doença da pecuária leiteira em termos de impacto econômico. No Brasil, os prejuízos podem chegar a 11,75 bilhões de litros de leite por ano, onde uma vaca acometida pode produzir até três litros de leite a menos por dia. Além da queda na produção, a doença responde por cerca de 70,0% das perdas da atividade, já que pode levar o animal à morte.
Os principais agentes causadores são bactérias dos gêneros Escherichia coli, Staphylococcus spp., Streptococcus spp., Corynebacterium spp. e Mycoplasma spp., além de microrganismos ambientais, como Streptococcus uberis, Trueperella pyogenes, Pseudomonas spp., fungos e algas.
A doença pode ocorrer nas formas clínica e subclínica. A primeira, com prevalência de cerca de 17,5%, apresenta sinais visíveis, como inchaço, endurecimento, vermelhidão e dor no úbere, além de alterações no leite, como grumos e pus.
Já a forma subclínica, que pode atingir prevalência de 72,0% em algumas regiões, não apresenta sintomas aparentes e tem maior potencial de disseminação no rebanho. Nesses casos, há alterações na composição do leite, como a quantidade de caseína, lactose, cálcio, gordura e o aumento da contagem de células somáticas (CCS). O diagnóstico é realizado principalmente por meio da CCS e do teste California Mastitis Test (CMT), recomendado como monitoramento periódico do rebanho.
A prevenção envolve boas práticas de manejo, como instalações limpas e secas, redução do estresse, alimentação adequada, secagem no período correto e cuidados sanitários durante a ordenha, incluindo pré-dipping e pós-dipping e a higienização dos equipamentos e instalações.
Outra forma de prevenção é a vacinação. Uma das opções disponíveis utiliza bacterina-toxoide de Escherichia coli (J5) mutante. A imunização inicial é realizada em duas doses de 2ml, via subcutânea ou intramuscular, com intervalo de duas a quatro semanas entre elas. Para fêmeas gestantes, recomenda-se uma aplicação no sétimo mês de gestação e outra de uma a três semanas antes do parto. Considerando o preço médio de R$167,58 por frasco de 20 ml (em maio), o preço por dose foi de R$16,76, totalizando R$33,52 por protocolo de imunização. O produto não possui carência para o leite, mas exige 21 dias de carência para o abate.
Quando a prevenção não é efetiva, pode-se utilizar gentamicina (150 mg) via intramamária, com aplicação de 10g em cada quarto mamário afetado, uma vez ao dia (a cada 24 horas), durante três dias consecutivos. O medicamento deve ser aplicado após a ordenha e os procedimentos de higiene recomendados. Considerando o preço médio de R$9,94 por embalagem de 10g (em maio), o custo do tratamento completo é de R$29,82 por quarto tratado, desconsiderando manejo e mão de obra.
Logo, diante dos impactos sobre a produtividade, a qualidade do leite e os custos de produção, medidas preventivas, como boas práticas de manejo e vacinação, são fundamentais para reduzir a incidência da doença e minimizar prejuízos ao produtor. Além de diminuir as perdas produtivas, a prevenção pode reduzir os gastos com tratamentos e descarte de leite, contribuindo para a eficiência econômica da atividade leiteira.
Informações: Scot Consultoria